Fora da igreja não há salvação (4)

Parte 4 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Uma formiga de fogo.

Uma formiga de fogo.

E finalmente, temos uma obrigação de serviço para outros crentes na igreja. A igreja também é um local necessário para que haja o exercício da comunhão dos santos. É exatamente no contexto da igreja que crentes que tem fé semelhante que eles ali encontram uns aos outros, e é ali onde eles juntos vivem como irmãos e irmãs no Senhor.   É esse local onde os cristãos são chamados e encorajados para viverem uns com os outros como membros do mesmo corpo.

E a intenção de Cristo é que cada igreja local se comporte como um família, uma família na qual os membros daquela família conhecem as necessidades uns dos outros. Uma família onde eles aceitam uns aos outros. Uma família onde eles contam uns com os outros e onde eles esperam que uns contem com os outros; e, acima de tudo, amem uns aos outros. E como nós sabemos que tudo isso é a intenção de Cristo? Nós simplesmente podemos extrair isso da linguagem familiar, das ilustrações de família que Cristo utiliza para falar da igreja; quão frequentemente encontramos a palavra irmão. E obviamente através do termo irmão, irmã, irmãos e irmãs são frequentemente citados. Nós podemos não ser geneticamente relacionados, mas em Cristo todos nós somos todos espiritualmente relacionados, todos nós somos espiritualmente relacionados.

E nós precisamos uns dos outros e dos dons que Deus nos deu para servirmos uns aos outros. Em Efésios 4, a igreja é descrita como o Corpo de Cristo, nós também encontramos esse mesmo tipo de linguagem em outros locais da Bíblia. Em Efésios 4, Paulo continua e ele fala a respeito das diferentes funções que cada um tem na parte do corpo.  E o corpo é mantido junto por todas essas partes distintas.  É através do amor e da união do corpo que as partes do corpo crescem e florescem. Mas o que é importante entendermos é que para que o corpo cresça precisamos das partes; e ele precisa de que essas partes estejam trabalhando em perfeita harmonia uma com a outra. Sem essas partes o corpo começa a se desfazer; então, em outras palavras e que os crentes que são membros da igreja estejam ali exercendo os seus dons e os seus talentos; fazendo aquilo tudo para o bem estar dos outros membros. E, na igreja, nós temos um chamado com respeito ao mundo caído. Nós queremos ser igrejas que praticam a grande comissão, mas também nós temos um chamado uns para com os outros. Nós queremos sobreviver enquanto igreja. E mais do que isso queremos lutar tanto individualmente como corporativamente.

Certamente, vocês já tenham escutado sobre as formigas de fogo, e provavelmente muitos de vocês já viram formigas de fogo. Vocês sabem como a mordida delas é miserável! Mas sabe que tem uma coisa muito maravilhoso acerca de formigas de fogo! Aprendi isso, recentemente, escutando um programa de rádio. Não vi isso pessoalmente, a não ser pelo youtube! Quando as temporadas de cheias chegam. Obviamente, que diversas partes da região amazônica elas se enchem. E não tem tempo das formigas de fogo, de elas fugirem para escapar das águas que sobem. Você sabe, nessas circunstâncias, o que as formigas de fogo fazem? Elas se juntam para formar botes; elas juntas constróem com seus próprios corpos um bote; e são botes enormes de centenas e até milhares de formigas de fogo. Individualmente aquelas formigas iriam simplesmente afogar-se; ou talvéz, com muita dificuldade flutuar. Mas é quando elas se juntam que elas sobrevivem. E aí obviamente quando as águas das enchentes vão embora elas podem sobreviver. Mas elas dependem uma das outras para sobrevivência. E é exatamente esse o desenho, o projeto de Cristo para a igreja.  Ele quer que crentes, eles estejam unidos para que eles possam sobreviver ao ataque de seus inimigos mais nocivos. Inimigos como o diabo, o mundo e como a nossa própria carne.

Percebam que a igreja não é opcional para cristãos, a igreja não é algo que somos nós mesmos que anexamos à fé cristã. Alguma coisa legal até, mas que não é necessária. Se nós declaramos em acreditar o que verdadeiramente ensinam as Escrituras, se nós verdadeiramente cremos que a Bíblia é o nosso fundamento, então nós precisamos da igreja. Precisamos do Corpo de Cristo quando ele se manifesta em congregações locais, seja ele qualquer lugar que essa manifestação aconteça. Nós precisamos da igreja! E nós, não somente, precisamos da igreja, nós também podemos ser gratos porque Deus nos deu aquilo que precisamos. Ele nos deu, nos proveu com uma família espiritual onde juntos podemos crescer enquanto família. Oh! Irmãos e irmãs, vamos amar esse grande tesouro que o Senhor nos deu que é nossos irmãos e irmãs! Vamos continuar a fazer o uso contínuo e fiel do ministério da igreja! E vamos continuar a utilizar os nossos dons e talentos na igreja. É por amor e serviço uns aos outros. Amém!

Fora da igreja não há salvação (3)

Parte 3 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Perceba que esse tipo de ideia e de atitude nos põe no caminho correto para que nos coloquemos debaixo da submissão, da disciplina da igreja.  A Confissão Belga nos diz que fomos colocados debaixo do domínio do Senhor Jesus Cristo. E essa linguagem vem de Mateus 11: 28 – 30, Cristo nos chama para vir para Ele; e nele encontraremos descanso, ele diz que nós devemos trocar o julgo com Ele e que nós devemos pegar o seu jugo que é fácil.  E primeiro o que é um jugo, um fardo? Talvéz algum de vocês aqui já trabalharam em uma fazenda, e obviamente você já sabe tudo, já conhece tudo dessa linguagem agrícola, de agricultura; aqui presente. Mas para outros que nunca trabalharam em uma fazenda, um fardo é uma barra de madeira pesada colocada no pescoço de um jumento, o fardo que conecta o jumento com a carga que ele tem que puxar. E o que significa, então, colocar o fardo de Cristo sobre nós? Então é… carregar, puxar o peso que ele puxa, por assim dizer;  ele mesmo explica. Ele explica dizendo: que isso significa que precisamos aprender Dele. Significa se submeter à sua instrução e se submeter à sua disciplina, significa que quando Cristo fala conosco, nós escutamos e obedecemos.

E a pergunta é: e onde Cristo fala para nós? Como Ele nos instrui e disciplina hoje? Ora, a questão da disciplina, ela é clara o suficiente. Em Mateus 18, por exemplo, Deus deixa essa questão da disciplina muito claro.  Ele ensinou aos seus discípulos a promoverem a disciplina mútua. E se essa disciplina mútua fosse infrutífera, obviamente, eles precisavam então dizer à igreja. E a igreja, sim, iria abrir ou fechar a porta para essa pessoa através das chaves do reino que lhe foram entregue. Se uma pessoa não se arrepende, então torna-se o papel da igreja, oficialmente argui-la e discipliná-la, se eles vivem continuamente em pecado, então é eventualmente a igreja que exercita a sua autoridade e os excomunga.

Infelizmente, esse ensino de Mateus 18 é extremamente negligenciado na América do Norte, e em todos os lugares em que esse “jeito americano” tem influenciado. De forma muito triste, essa ideia de ser membro da igreja é uma ideia completamente estranha nos EUA e para muitos cristãos da América do Norte. E a pergunta é que se você não tem membrezia de igreja, como você pode fazer ou aplicar a disciplina? Como você pode excomungar alguém de uma comunhão de que eles nem participam? Há alguns anos atrás, dei uma série de palestras no México para os pastores; e após as palestras, nós tivemos algumas discussões; e aí, os pastores me colocaram um problema muito comum que eles estavam enfrentando.  Esses pastores estavam ensinando nas igrejas o que a Bíblia ensina sobre sexualidade, a Bíblia diz, eles estava ensinando que as pessoas não podiam se juntar antes do casamento, e ter relações sexuais antes do casamento.  E naquela cidade entre muitos que se chamavam de cristãos, esse tipo de ensino tornou-se um problema. É como se todo mundo no México, simplesmente praticassem esse tipo de coisa; e eles simplesmente não queriam se casar. E aí quando os pastores iriam ali e pregavam contra aquilo, contra essa prática; as pessoas que estavam escutando esses ensinamentos, simplesmente, faziam o quê? Elas não voltavam para aquela nova igreja; elas simplesmente iam para uma outra igreja. E aí eles continuavam naquela igreja até o dia em que escutassem de novo a mesma mensagem. E ali os pastores, estavam ali demonstrando suas frustações. E eles perguntavam:  O que podemos fazer para resolver isso? Então eu perguntei: vocês tem membrezia da igreja? Vocês tem disciplina da igreja? E a resposta para ambas as perguntas foi: Não! Simplesmente essas pessoas não estavam ensinando o que Jesus ensinou em Mateus 18. E esse era o problema, e era um problema generalizado em todo o mundo. Nós podemos ser gratos que as igrejas tanto presbiterianas quanto reformadas têm uma tradição de seguir o que a Bíblia ensina. Nós nem sempre temos feito isso de uma forma consistente. Nós, nem sempre, tivemos feito isso de uma forma positiva, mas é parte de nossa confissão. É encontrado tanto nas Três Formas de Unidade quanto nos Padrões de Westminster escritos pelos Puritanos e por muitos outros. Nós não podemos ficar simplesmente indiferentes com relação a esse assunto porque, no final das contas, uma igreja sem disciplina, não é igreja.

Então Cristo exercita a disciplina, administra a disciplina através da igreja. E no que diz respeito à instrução? Onde é que Cristo nos ensina? Sim, a resposta pode ser que Ele nos ensina na Sua Palavra. À medida que você lê sozinho a Bíblia em sua casa, ou na sua família, mas também Cristo nos ensina quando a Sua Palavra é autoritativamente pregada no contexto da igreja. Quando nós escutamos a pregação fiel das Escrituras, ela é a Palavra de Deus diretamente para nós. E obviamente, existem diversas maneiras, algumas maneiras com as quais posso provar isso para vocês. Veja por exemplo, o que as Escrituras dizem em Efésios 2, versículo 17: “E, vindo, evangelizo paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto”. É exatamente isso o que o texto diz: foi Cristo quem estava aqui e que pregou paz aos Efésios; onde é que o texto diz que Cristo pessoalmente foi lá e estave presente em Éfeso, materialmente? Ele nunca foi lá em Éfeso, mas o texto nos diz que foi Cristo quem pregou para eles. Como? Através do ministério fiel da igreja. Como pregadores como Paulo, Timóteo e muitos outros. Quando a Palavra é fielmente pregada é Cristo ensinando fielmente para nós. A Segunda Confissão Helvética foi escrita 5 anos depois que foi escrita a Confissão Belga. Foi escrita em 1566, e a Segunda Confissão Helvética coloca esse ponto com uma clareza formidável: “A pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”.

Nosso chamado enquanto cristãos é no submeter àquilo que Cristo está fazendo através do ministério da igreja, é isso o que Hebreus 13: 17 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma como quem deve prestar contas; como quem faz isso com alegria e não gemendo porque isso não aproveita a vós outros”. O que significa submeter? Isso significar simplesmente se entregar; significa colocar de lado os seus desejos pecaminosos e se render para aquilo que Cristo quer de você. E você percebe o que Hebreus 13: 17 diz a respeito do resultado desse tipo de comportamento para com a igreja: se nós nos submetemos aos nossos líderes à medida que eles nos guiam e disciplinam e eles podem fazer o seu trabalho com alegria. Esse trabalho também será um trabalho de vantagem e de coisas boas para nós. Nós estaremos sendo mantidos em segurança em Cristo. Essa é uma das grandes vantagens, nós vamos crescer em Cristo, essa é uma outra vantagem. E em última instância estaremos vivendo as nossas vidas para a glória de Deus. E aí nossas vidas terão significado, vão ter propósito, direção. Quanto mais grandes vantagens percebemos! Você percebe como o Espírito Santo exibe, segura essas vantagens para nós? É um incentivo para que nós nos submetamos à disciplina da igreja.

Continua…

A igreja de Cristo é católica (5)

Parte 5 de uma palestra sobre artigo 27 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 31 de outubro 2013.

Quero voltar e tratar o que diz respeito ao significado da catolicidade da igreja.

Vocês têm conhecimento de que às vezes tem sido difícil para alguns crentes aceitarem a catolicidade da igreja, muitos têm problemas com outros que são diferentes deles. Por exemplo: pessoas que tem cor de pele diferente da deles, ou uma cultura diferente. Ou um status econômico e social diferente do deles, ou até uma língua diferente. E às vezes é difícil um desafio observar como pessoas diferentes são uma bênção ao invés de vê-los como uma ameaça. Esse desafio já exista na época dos apóstolos. É exatamente isso que observamos em Atos 11, Pedro vê uma visão extraordinária que abre seus olhos.   Ele simplesmente entende que os planos de Deus são muito maiores do que simplesmente a nação dos judeus. Mesmo Cristo, antes de Atos 11, já tinha dito pessoalmente para Pedro, exatamente, essa perspectiva, essa informação. É exatamente isso que Cristo já havia dito para todos os outros apóstolos. Em Atos capítulo 1, Cristo envia para as nações, primeiro indo para Jerusalém e depois expandindo as suas ações missionárias em círculos concêntricos. Mas para Pedro, essa informação não foi registrada.  Foi preciso uma visão vinda dos céus e depois ter um encontro com Cornélio para que Pedro pudesse entender que as portas da igreja estão escancaradas. As portas da igreja estão escancaradas para todo o tipo de pessoas, povos, tribos, língua e nações.

E o que ilustra isso muito bem é o que chamamos também de catolicidade geográfica e cultural da Igreja. Isso significa dizer que a igreja se espalha por todas as nações da terra. Podemos ir a, praticamente, todos os lugares do mundo e encontrar cristãos lá; em alguns locais, obviamente, precisamos ter contatos apropriados e saber onde procurar; mas eles estão lá. Deus tem o seu povo em muitas cidades e em muitos países, pessoas que nem eu, nem você tem a menor ideia de que eles existem. Nos ultímos tempos, estava pregando na Ucrânia em uma conferência bem semelhante a essa. E aí, um dos missionários reformados falou-me sobre uma oportunidade que ele teve de ir no Casaquistão para ajudar no treinamento de pessoas para servir à Igreja Reformada lá. Quem vai saber que tem uma Igreja Reformada lá no Casaquistão? Eu não sabia disso, eu não tinha a menor ideia disso, mas o povo de Deus é encontrado em todo o lugar. E eles vêm de todos os tipos de culturas distintas. E perceba que isso é uma coisa linda e muito boa: Deus deleita-se na diversidade. Se você tem alguma dúvida disso, vá ao zoológico ou olhe um aquário.   Diferentes cores e formas diferentes, todos criados por Deus, nosso Criador. Deus foi Aquele quem pôs a diversidade nesse mundo e Ele ama essa diversidade. Exatamente isso acontece, também, no meio de seu povo; nos novos céus e nova terra haverá esse grupo de diversificado de cultura e povo de Deus salvo, cantando um novo cântico ao Cordeiro. Magnificando juntos a glória do nosso Deus, será simplesmente como um coral que canta com vozes diferentes… Não sei se já perceberam que há partes de corais que cantam um setor de uma música, outros que cantam outros setores da música, mas  quando eles juntam as vozes eles soam muito bonito. E assim será quando a igreja Católica estiver ali junta perante o nosso Deus, aqueles cantos belíssimos de louvor ecoarão para sempre na eternidade; vocês estarão cantando em Português, talvez eu vou estar tentando cantar em Português; estaremos todos louvando a Deus.

Além dessas questões de diversidade cultural, existe também a questão do tempo; chamamos esse aspecto da catolicidade do aspecto temporal. Isso quer dizer que tem relação com o tempo. No Artigo 27, nós vemos esse conceito de catolicidade temporal sendo trabalhado no segundo parágrafo. Esse é um ensinamento importante também para hoje. Muitas pessoas acham que a igreja começou lá em Pentecostes, muitos crentes acreditam que a igreja é o plano B de Deus; o plano A de Deus foi trabalhar com os judeus, e essas pessoas pensam que Jesus veio estabelecer Seu Reino entre os judeus. E como isso não funcionou, as pessoas pensam que Deus, colocou a marcha dois, a segunda, engatou a segunda, e começou a trabalhar com os gentios através dos apóstolos. Esse tipo de visão tende a dizer que a igreja começou em Pentecostes. Eles dizem que Pentecostes é o dia do nascimento da igreja.  Essa visão é extremamente popular; mas é muito errada e não bíblica.

A igreja começou quando Adão e Eva, a igreja continua desde aquele momento até a eternidade. O mundo sem fim, desde a criação de nossos primeiros pais sempre houve uma igreja e sempre haverá uma igreja. Por que isso? A Confissão Belga responde essa pergunta com um argumento brilhante: Cristo é um Rei eterno e como Rei eterno não pode estar sem súditos. O autor da Confissão Belga, Guido de Brès, que mencionei anteriormente; acho que ele aprendeu esse tipo de argumentação diretamente de João Calvino. Pregando um sermão sobre a ascenção de Cristo, Calvino utiliza exatamente a mesma argumentação. E como esse tipo de argumentação funciona? É bem simples, deixa explicar para vocês: Cristo é um Rei eterno. Essa é uma verdade bíblica inegável. Ele sempre foi Rei e Ele sempre será Rei. Agora, por definição, um Rei precisa de súditos. É inimaginável um Rei sem súditos; portanto, Cristo, como um Rei eterno sempre terá súditos. Eles são aqueles que reconhecem o seu reinado. E esses súditos são aqueles que Ele mesmo ajuntou dentro da Sua igreja. Para esclarecer: a igreja não é a mesma coisa que o Reino de Deus, mas é lá onde encontramos os súditos do Rei. Portanto, sempre houve um reino para Cristo e sempre haverá um reino para Cristo; e é por isso que falamos sobre a catolicidade temporal da igreja. A sua natureza universal estende-se desde o passado e vai também até ao futuro.

E porque esse ensino é importante? Ela nos lembra que precisamos olhar para fora de nós mesmos. O nosso mundo atual é extremamente individualista, narcisista. A catolicidade da igreja lembra-me que a igreja é maior do que eu mesmo. Essa doutrina lembra que a igreja é muito maior do que os meus irmãos queridos ou do que a Congregação a qual participo. Ela é bem maior do que a Igreja Presbiteriana, ou do que a Igreja Reformada, ela é uma igreja que se estende desde o passado, milênios no passado; então, Abraão não é somente um pai na fé; mas ele também é um irmão em  Cristo. Um membro da mesma igreja a qual sou membro. E Ruth não é somente uma avó do Senhor Jesus Cristo, mas ela também é um membro da mesma igreja da qual somos membros. A igreja a qual Paulo e Pedro pertenciam é a mesma igreja católica, a qual eu pertenço, vocês e todos que somos verdadeiramente crentes. Percebam que somos parte de algo que é maior do que nós mesmos.

E podemos olhar para a história e podemos aprender tanto com isso. Há quatro-centro e cinquenta anos atrás Guido de Brès identificou uma dessas lições: ele e seus contemporâneos estavam bem familiarizados do que seja sofrer a ira do mundo contra eles. Essa confissão fora escrita na Holanda, o que naquele tempo incluía o que chamamos de Bélgica hoje. Naquele tempo, aquela área da Bélgica estava sob o domínio da Espanha; e obviamente que os espanhóis eram Católicos Romanos e odiavam o Evangelho. Então eles perseguiam as Igrejas Reformadas Holandesas. As igrejas eram chamadas de igrejas perseguidas sob a cruz. Quando a perseguição era muito intensa, obviamente que visualmente seus números diminuíam. E quando a autoridade espanhola aliviava da perseguição muitas pessoas vinham e estavam de volta na Igreja Reformada. Mas nos piores momentos da perseguição, o número das igrejas reformadas era contados nos dedos das mãos. E aí essas igrejas tinha uma aparência patética e até de pena para os que viam, mas Guido de Brès era um bom aluno, um bom estudante das Escrituras. Ele sabia da história de Elias nos dias de Acabe. Elias estava reclamando que só ele restava dos fiéis, “não havia mais ninguém, a igreja estava aparentando estar extinta, mas a realidade estava escondida aos olhos de Elias e foi somente revelada a Ele pela Palavra de Deus. Deus veio e disse a ele que existiam sete mil ainda que não haviam dobrado os joelhos no meio da Congregação da Aliança. Sete mil que Elias não sabia da existência deles. Deus naquele momento havia preservado a sua igreja. Deus preservou a sua igreja naquelas perseguições no século XVI. Deus continuará a preservar a sua igreja hoje; está prometido nas Escrituras e ilustrado nas Escrituras, e tem sido ilustrado várias vezes na história da igreja. Deus é Poderoso e Fiel e Ele não vai deixar a Sua noiva sozinha.

Deus ama a sua igreja Católica Cristã Universal. E que grande bênção é poder participar desse corpo diversificado de crentes. Certamente, experimento essa bênção congregando com vocês aqui no Brasil. Que extraordinário saber que estamos dentro dessa assembleia única e sabermos que estamos sendo reunidos pela vontade de nosso Deus. Nesse momento, vemos apenas um vislumbre do que significa ver essa igreja Católica. Mas a medida que caminhamos juntos em fé, Deus nos promete que veremos a realidade por completo. E quando esse dia chegar, ouviremos um belíssima melodia no coral de vozes louvando a Ele na eternidade. Irmãos e irmãs vamos, desde já, nos preparar para cantar e fazermos parte daquele grande coral.

 

A igreja de Cristo é católica (3)

Parte 3 de uma palestra sobre artigo 27 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 31 de outubro 2013.

Agora, quem são os membros dessa igreja Católica ou Universal? A resposta é muito simples: crentes verdadeiros são os membros da igreja. Os membros dessa igreja Católica são aqueles que esperam a sua salvação somente em Jesus Cristo. Eles estão completamente amparados e ancorados no trabalho que Cristo fez por eles. O que Cristo fez no lugar deles. É exatamente porque eles descansam em Cristo que eles foram lavados pelo seu sangue. Todos os seus pecados foram lavados por completo; e agora Deus, o Pai, os vê da mesma maneira como Ele vê o seu Filho. Eles são santificados pelo Espírito Santo e eles são separados para Deus, eles foram selados com o Santo Espírito. Isso significa que nada, nem ninguém pode roubá-los da Salvação em Cristo.

É um ensino bíblico tão simples, mas às vezes levantam questões, uma das questões é: e o meu amigo Católico Romano? Ela disse para mim: -“Olha, eu não acredito muito no que a Igreja Católica Romana” diz, ela diz:  -“ Acredito no que a Bíblia diz”.  Ela acredita que a salvação é encontrada somente em Jesus, que salvação é somente uma obra de fé em Jesus e que não vem através de boas obras. Ela acredita no evangelho da Graça exatamente como eu creio, mas ela não consegue deixar a igreja de Roma porque ela acha que vai matar a sua avó. Será ela é membro da Igreja Católica ou Universal que foi descrita no Artigo 27 que nós lemos? Tem duas coisas que temos que considerar aqui.

Primeiro, esse tipo de pergunta não é nada verdadeiro, nada novo. João Calvino, Guido de Brès e muitos outros reformadores lutaram com estas mesmas questões no século XVI.   E eles acreditavam que uma pessoa pode ser membro de uma falsa igreja; mas de fato serem membros da igreja verdadeira; e portanto, parte da igreja Católica ou Universal. Obviamente que não era correto da parte deles manterem-se filiados às igrejas que eles estavam filiados; e aí, nós temos um problema: eles precisam ser chamados para saírem daquelas organizações falsas. Mas, em última instância, a salvação depende da fé em Cristo, e em Cristo somente.  Esse é um ponto bíblico e deve ser também o nosso ponto por ser bíblico.

A segunda coisa para se manter em mente quando tentamos responder a uma pergunta como essa é saber que somente Deus conhece os corações. Somente Deus sabe verdadeiramente quem realmente se arrependeu completamente de seus pecados e se entregou completamente a Cristo. Somente Deus sabe quem são verdadeiramente os membros dessa igreja Católica, Universal. Então não compete a nós estar aqui julgando ou tentando identificar que está dentro e quem está fora. Se você quiser começar a fazer isso, comece consigo mesmo. Afinal de contas, de acordo com aquilo que confessamos, há muitos membros de nossas congregações que não fazem parte da Igreja Católica ou Universal. Então, ao invés de ficarmos preocupados com a posição de alguém ou da presença de outra pessoa na Igreja Universal Católica do Senhor Jesus Cristo, é importante que estejamos pensando na nossa participação, em sermos membros dessa igreja Católica. Será que estou pondo toda a minha expectativa de Salvação somente em Cristo? Tenho sido já lavado pelo Seu sangue? Amados, quando o fim chegar e verdadeiramente virmos quem irá morar com Cristo para sempre; certamente, haverá muitas surpresas! Então, enquanto estivermos desse lado do Plano Redentivo, é melhor errarmos por caridade, é melhor errarmos pensando que muitos irão entrar. É melhor sermos caridosos e sempre darmos o benefício do entendimento de que as pessoas estão dentro da Igreja Católica de Cristo.

Continua…

A igreja de Cristo é católica (2)

Parte 2 de uma palestra sobre artigo 27 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 31 de outubro 2013.

Então, quando começamos a falar de igreja nos lembramos de uma coisa muito importante, não é nossa igreja. Isso é verdade quando estamos falando de igrejas locais e quando falamos de igreja universal, católica. A igreja pertence a Deus, ela é a sua possessão particular, e crescendo nesse entendimento o próprio Deus está ativamente envolvido nessa igreja.

Sempre trabalhando pela igreja, está sempre ocupado com a igreja; mas uma outra coisa que Deus está fazendo com a igreja é ajuntando-a. Nós vemos isso em textos como Efésios capítulo 2; aquele texto específico fala sobre a igreja. E ela fala da igreja, primeiramente, no sentido local, no sentido específico; afinal de contas, para quem Paulo está escrevendo? Ele está escrevendo, exatamante, para aquela igreja local lá em Éfesos. Mas existem pistas no texto que nos aponta para algo maior que ele tem em sua mente; por exemplo, Paulo fala dos apóstolos e dos profetas; ele fala que eles são o fundamento da igreja, ele fala a respeito desse templo, que a igreja, crescendo, sendo construído até que ele chega na presença de Deus. E Paulo conclui tudo isso chegando, no versículo 22, dizendo: “no qual também vós estais juntamente sendo juntamente edificados para habitação de Deus, no Espírito”. E percebam que tudo isso aqui sugere que existe algo muito maior que Paulo está considerando nessa passagem.

E algo que é fundamental nesse texto, que está os levando a prestar atenção neste texto, é que esse trabalho é um trabalho de Cristo, quase todas as coisas que estão sendo articuladas nesse texto falam de Cristo como sendo o trabalho de Cristo, quase todos os verbos que estão aqui descrevem o trabalho de Cristo no meio de seu povo; por exemplo, no versículo 3, é o sangue de Cristo que nos traz para o próprio Cristo, no versículo 14, Cristo é a Paz dos que foram trazidos e foi Cristo quem derrubou a parede de separação. Cristo, simplesmente, acabou de criar um homem no lugar de dois homens, vemos isso no versículo 15. E no versículo 16, é Cristo quem traz essa reconciliação diante de Deus. Versículo 17, Cristo vem e prega paz; no versículo 18, é através de Cristo que temos acesso ao Pai; de acordo com o versículo 20, Cristo é a Pedra Angular desse edifício. E no versículo 21 diz que é Nele, é em Cristo que todo o corpo está bem ajustado. Vocês percebem que tudo aqui está descrito “em Cristo”, tudo, o que está escrito aqui, aponta para aquilo que Cristo está fazendo. Obviamente, pense um pouco a respeito das palavras do Catecismo de Heidelberg, na pergunta 54: “O Filho de Deus, desde o começo até o fim do mundo, reúne para Si mesmo, de entre todo o gênero humano, uma igreja eleita para a vida eterna a qual protege e preserva na unidade da verdadeira fé pelo Seu Espírito e Por Sua Palavra”.

Percebam que, no caso da Confissão Belga, não são exatamente estas palavras que estão articuladas, não é isso que diz de forma explícita; mas ela ponta nessa direção quando ela diz que a igreja é uma santa congregação e assembleia. E aqui precisamos ler, entre as linhas, precisamos fazer perguntas do tipo:  Quem reúne a congregação? Quem é que reúne a assembleia? Quem reúne a igreja? Obviamente que a pergunta respondida pelas Escrituras está muito clara: é Cristo, é Deus propriamente dito quem faz esse trabalho.

Isso diz claramente que a igreja não é uma invenção humana. Não é alguém que do nada pensa em reunir pessoas e agrupá-las em um local. A igreja é uma ideia de Deus, o ajuntamento da igreja é uma ação de Deus.

Mas o que isso significa para nós, então? Você deve estar escutando isso que acabei de dizer e deve estar pensando:  -Está bom! E daí? Será que isso é algum tipo de verdade teológica que precisamos acreditar; mas que é completamente inútil para a nossa vida prática? Então vamos pensar, um pouquinho, a respeito disso juntos: Se Cristo está no centro da tarefa de ajuntar a  igreja, precisamos, obviamente, nos perguntar: Por que Ele está fazendo isso? Perceba a imagem que é utilizada para descrever Cristo e a Sua Igreja: Cristo é o noivo a igreja é a sua noiva, incluso dentro dessa ilustração está algo crucial, vital: Cristo ama a Sua igreja! Ele ama a Sua igreja Católica, universal e Ele ama as Suas igrejas locais, onde aquela igreja católica ou universal se manifesta. Agora, pense um pouco mais a respeito disso:   -Você ama a Cristo? Você descansa e confia Nele para a sua salvação? Ele viveu e morreu por você. E é você quem abraça essa mensagem do Evangelho; e todas as vezes que você escuta essa mensagem, você crê nessa mensagem? Em relação a Cristo, significa dizer que você está unido à Ele; você tem uma união espiritual e vital com Cristo através da Sua Fé  e através do Espírito Santo. Ele é a vinha e você é o ramo, aquilo que ama, você também o amará, você se tornará o alvo do Seu amor e seu amor crescerá por aquilo que Ele ama. Ele ajunta a igreja porque Ele ama a igreja e aquilo que Ele ama, você também o amará. Ele ama a igreja ao ponto de que ela é o tesouro e a igreja é a menina dos olhos Dele. Como alguém pode dizer dentro desse entendimento que a igreja não é importante ou mesmo desnecessária. Como você pode ser tão despreocupado e achar que a igreja é algo totalmente desnecessário? Aqueles que estão unidos a Cristo por fé amarão aquilo que Ele ama, nós desejaremos amar aquilo que Ele ama. E desejaremos crescer na direção Dele porque a igreja católica ou universal é esse trabalho de Graça divida, ela revela o amor do nosso Salvador para conosco. A igreja é importante, nós queremos e precisamos valorizá-la.

Continua…