As marcas da verdadeira igreja (1)

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Parte 1 de uma palestra sobre artigo 29 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Você tem estado no médico recentemente? Se você tem visitado médicos recentemente, você pode está agradecido pelo bom treinamento que os médicos nessa Idade Moderna recebem.  De volta ao século XIX, essa realidade na questão médica era bem diferente. As escolas médicas eram mais motivadas por dinheiro do que por qualquer outra coisa.  Qualquer pessoa podia se tornar médico depois de estudar somente dois anos. E foi exatamente um relatório por uma fundação chamada Carnegie em 1910 que, transformou essa realidade. E esse relatório ajudou a modificar a realidade da saúde no Canadá, nos Estados Unidos e pelo mundo. E uma das recomendações cruciais desse relatório dizia respeito às Escola Médicas, e ao ordenamento das classes distintas de médicos.  Eles deveriam ter pelo menos quatro anos de treinamento para se tornar médicos. O primeiro ano deveria ser dedicado a um entendimento de: como é que um ser humano saudável pode ser reconhecido de dentro para fora, do interior para o exterior. E o segundo ano, deveria se especializar em questões referentes às doenças, patologias, no estudo das doenças, daquilo que é anormal na realidade do corpo humano saudável. E, aparentemente, as escolas médicas, de formação médica, continuam seguindo essas mesma estruturas até hoje. Primeiro, você aprende o que é ser normal e ser saudável, e aí é que você começa aprender sobre o que é anormal e sobre o que não é saudável, sobre o que é ser doente.

E no Artigo 29, a Confissão Belga aplica exatamente o mesmo procedimento. Nós estamos considerando o que é a Igreja de Cristo, e onde podemos encontrar a Igreja de Cristo. Então se a igreja é tão importante, tão necessária, torna-se então crucial que nós entendamos quais são os critérios para que nós possamos encontrá-la. É muito importante que nós tenhamos ferramentas para detectar o que é que a igreja de Cristo verdadeiramente é, e o que é que ela não é. Então, resumindo o ensino bíblico, a Confissão Belga nos dá essas ferramentas para fazer essa identificação. Então, nós vamos aprender como identificar a coisa real, a Igreja real, e também como identificar a igreja verdadeira pelo que é falso, então nós vamos,aprender a discernir, a identificar o que é a igreja.

Mas eu quero me livrar de uma coisa específica logo no início. Tem alguns que dizem, “Há, a Confissão Belga foi escrita muito tempo atrás!” E eles realmente tem razão.  Ela foi escrita há muito tempo atrás, ela foi escrita em 1561; mas o argumento é de que naquele tempo as coisas eram muito diferentes, eram muito distintas. E ai o argumento é: “No tempo lá do Guido DeBrés, que compôs o texto, as coisas eram muito simples, você só tinha a Igreja reformada, e só tinha a Igreja Católica Romana. E era muito fácil identificar qual era a diferença entre as duas, entre a Reformada e a Católica Romana.  Você tinha,então, a Igreja verdadeira e a Igreja falsa; então, fica muito fácil e ninguém consegue confundir as duas. Era simplesmente preto e branco, mas, então, o argumento continua dizendo, “Isso foi a 450 atrás, e as pessoas levam o argumento a diante dizendo, “hoje as coisas são bem diferentes, hoje nós temos tantas igrejas ao nosso redor, e ai não é tão fácil como naquele tempo de discernir qual é a igreja falsa ou verdadeira”. E eles concluem dizendo que o artigo 29 da Confissão Belga não é tão útil para nós, hoje, na nossa Idade Moderna.

Tem um pouco de verdade nessa afirmação. Mas, de fato esse tipo de ideia, de argumento é uma super simplificação exagerada. Deixa eu falar um pouco para vocês sobre a realidade histórica: Guido de Brés e também os reformadores estavam circundados ali, não somente, pelos romanistas mas também por muitas outras igrejas distintas. Por exemplo, na Holanda haviam igrejas Luteranas nos dias em que a Confissão Belga foi escrita. É verdade que não tinham muitas, mas elas estavam lá. Guido de Brés tentou realmente se unir a essa igrejas. E também tinham os anabatistas, e é importante lembrar que os anabatistas não eram um grupo unidos.  Não tinha uma única igreja anabatista, não é o tipo da situação que você vai para uma cidade encontrar a Igreja anabatista da cidade tal. Eventualmente, os Menonitas se tornaram o grupo mais evidente dentro do anabatismo. Mas, nos dias da Confissão, haviam dezenas de grupos diferentes dentro do movimento anabatista. Guido de Brés escreveu um livro enorme a respeito dos anabatistas, é muito mais de novecentas páginas, o livro.  E, naquele livro, Guido de Brés reconhecia já que havia uma grande diversidade no meio dos anabatistas. E ele cita diversas, ele mesmo reconheceu então naquele texto que havia grande diversidade entre os anabatistas. Alguns deles eram equivalente aos pentecostais modernos, outros grupos eram equivalentes aos Batistas de hoje. Muitos, também tinham pouquíssimo respeito à palavra de Deus, outros consideravam de verdade as Escrituras como verdade infalível. Em alguns grupos anabatistas você ainda conseguia escutar a pregação genuína do evangelho, mas entre outros você iria escutar, na maior parte das vezes, legalismo, moralismo, era essa a pregação, ou talvez bons conselhos. Muitos chegavam ao ponto de negar à doutrina da Trindade, eram classicamente reconhecidos como hereges, já outros eram comparativamente ortodoxos no que diz respeito a diversos pontos no que diz respeito à doutrina cristã. E o meu ponto é simplesmente esse, que ninguém pode afirmar que, no contexto histórico daquele tempo, o cenário era preto e branco como este, era somente Igreja Reformada e Roma, não era dessa maneira! É como eu já disse tem um pouco de verdade aqui, e essa verdade é que hoje existe um número ainda maior de igrejas se declarando como igrejas de Cristo. Mas negar que existia qualquer tipo de diversidade no século XVI é simplesmente equivocado, errado. Então, nós podemos concluir, creio que vocês vão concordar comigo que o Artigo 29 da Confissão Belga não perdeu a sua utilidade, ela fala para nós, e vem de um contexto e ela continua a falar para nós o nosso contexto atual onde o mesmo tipo de diversidade continua a existir. Entretanto, hoje, essa diversidade existe num grau muito maior. Então, certamente, essa pode ser e continua sendo a confissão de diversas Igrejas Reformadas ainda, hoje, no século XXI.

Continua…

Fora da igreja não há salvação (4)

Parte 4 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Uma formiga de fogo.

Uma formiga de fogo.

E finalmente, temos uma obrigação de serviço para outros crentes na igreja. A igreja também é um local necessário para que haja o exercício da comunhão dos santos. É exatamente no contexto da igreja que crentes que tem fé semelhante que eles ali encontram uns aos outros, e é ali onde eles juntos vivem como irmãos e irmãs no Senhor.   É esse local onde os cristãos são chamados e encorajados para viverem uns com os outros como membros do mesmo corpo.

E a intenção de Cristo é que cada igreja local se comporte como um família, uma família na qual os membros daquela família conhecem as necessidades uns dos outros. Uma família onde eles aceitam uns aos outros. Uma família onde eles contam uns com os outros e onde eles esperam que uns contem com os outros; e, acima de tudo, amem uns aos outros. E como nós sabemos que tudo isso é a intenção de Cristo? Nós simplesmente podemos extrair isso da linguagem familiar, das ilustrações de família que Cristo utiliza para falar da igreja; quão frequentemente encontramos a palavra irmão. E obviamente através do termo irmão, irmã, irmãos e irmãs são frequentemente citados. Nós podemos não ser geneticamente relacionados, mas em Cristo todos nós somos todos espiritualmente relacionados, todos nós somos espiritualmente relacionados.

E nós precisamos uns dos outros e dos dons que Deus nos deu para servirmos uns aos outros. Em Efésios 4, a igreja é descrita como o Corpo de Cristo, nós também encontramos esse mesmo tipo de linguagem em outros locais da Bíblia. Em Efésios 4, Paulo continua e ele fala a respeito das diferentes funções que cada um tem na parte do corpo.  E o corpo é mantido junto por todas essas partes distintas.  É através do amor e da união do corpo que as partes do corpo crescem e florescem. Mas o que é importante entendermos é que para que o corpo cresça precisamos das partes; e ele precisa de que essas partes estejam trabalhando em perfeita harmonia uma com a outra. Sem essas partes o corpo começa a se desfazer; então, em outras palavras e que os crentes que são membros da igreja estejam ali exercendo os seus dons e os seus talentos; fazendo aquilo tudo para o bem estar dos outros membros. E, na igreja, nós temos um chamado com respeito ao mundo caído. Nós queremos ser igrejas que praticam a grande comissão, mas também nós temos um chamado uns para com os outros. Nós queremos sobreviver enquanto igreja. E mais do que isso queremos lutar tanto individualmente como corporativamente.

Certamente, vocês já tenham escutado sobre as formigas de fogo, e provavelmente muitos de vocês já viram formigas de fogo. Vocês sabem como a mordida delas é miserável! Mas sabe que tem uma coisa muito maravilhoso acerca de formigas de fogo! Aprendi isso, recentemente, escutando um programa de rádio. Não vi isso pessoalmente, a não ser pelo youtube! Quando as temporadas de cheias chegam. Obviamente, que diversas partes da região amazônica elas se enchem. E não tem tempo das formigas de fogo, de elas fugirem para escapar das águas que sobem. Você sabe, nessas circunstâncias, o que as formigas de fogo fazem? Elas se juntam para formar botes; elas juntas constróem com seus próprios corpos um bote; e são botes enormes de centenas e até milhares de formigas de fogo. Individualmente aquelas formigas iriam simplesmente afogar-se; ou talvéz, com muita dificuldade flutuar. Mas é quando elas se juntam que elas sobrevivem. E aí obviamente quando as águas das enchentes vão embora elas podem sobreviver. Mas elas dependem uma das outras para sobrevivência. E é exatamente esse o desenho, o projeto de Cristo para a igreja.  Ele quer que crentes, eles estejam unidos para que eles possam sobreviver ao ataque de seus inimigos mais nocivos. Inimigos como o diabo, o mundo e como a nossa própria carne.

Percebam que a igreja não é opcional para cristãos, a igreja não é algo que somos nós mesmos que anexamos à fé cristã. Alguma coisa legal até, mas que não é necessária. Se nós declaramos em acreditar o que verdadeiramente ensinam as Escrituras, se nós verdadeiramente cremos que a Bíblia é o nosso fundamento, então nós precisamos da igreja. Precisamos do Corpo de Cristo quando ele se manifesta em congregações locais, seja ele qualquer lugar que essa manifestação aconteça. Nós precisamos da igreja! E nós, não somente, precisamos da igreja, nós também podemos ser gratos porque Deus nos deu aquilo que precisamos. Ele nos deu, nos proveu com uma família espiritual onde juntos podemos crescer enquanto família. Oh! Irmãos e irmãs, vamos amar esse grande tesouro que o Senhor nos deu que é nossos irmãos e irmãs! Vamos continuar a fazer o uso contínuo e fiel do ministério da igreja! E vamos continuar a utilizar os nossos dons e talentos na igreja. É por amor e serviço uns aos outros. Amém!

Fora da igreja não há salvação (3)

Parte 3 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Perceba que esse tipo de ideia e de atitude nos põe no caminho correto para que nos coloquemos debaixo da submissão, da disciplina da igreja.  A Confissão Belga nos diz que fomos colocados debaixo do domínio do Senhor Jesus Cristo. E essa linguagem vem de Mateus 11: 28 – 30, Cristo nos chama para vir para Ele; e nele encontraremos descanso, ele diz que nós devemos trocar o julgo com Ele e que nós devemos pegar o seu jugo que é fácil.  E primeiro o que é um jugo, um fardo? Talvéz algum de vocês aqui já trabalharam em uma fazenda, e obviamente você já sabe tudo, já conhece tudo dessa linguagem agrícola, de agricultura; aqui presente. Mas para outros que nunca trabalharam em uma fazenda, um fardo é uma barra de madeira pesada colocada no pescoço de um jumento, o fardo que conecta o jumento com a carga que ele tem que puxar. E o que significa, então, colocar o fardo de Cristo sobre nós? Então é… carregar, puxar o peso que ele puxa, por assim dizer;  ele mesmo explica. Ele explica dizendo: que isso significa que precisamos aprender Dele. Significa se submeter à sua instrução e se submeter à sua disciplina, significa que quando Cristo fala conosco, nós escutamos e obedecemos.

E a pergunta é: e onde Cristo fala para nós? Como Ele nos instrui e disciplina hoje? Ora, a questão da disciplina, ela é clara o suficiente. Em Mateus 18, por exemplo, Deus deixa essa questão da disciplina muito claro.  Ele ensinou aos seus discípulos a promoverem a disciplina mútua. E se essa disciplina mútua fosse infrutífera, obviamente, eles precisavam então dizer à igreja. E a igreja, sim, iria abrir ou fechar a porta para essa pessoa através das chaves do reino que lhe foram entregue. Se uma pessoa não se arrepende, então torna-se o papel da igreja, oficialmente argui-la e discipliná-la, se eles vivem continuamente em pecado, então é eventualmente a igreja que exercita a sua autoridade e os excomunga.

Infelizmente, esse ensino de Mateus 18 é extremamente negligenciado na América do Norte, e em todos os lugares em que esse “jeito americano” tem influenciado. De forma muito triste, essa ideia de ser membro da igreja é uma ideia completamente estranha nos EUA e para muitos cristãos da América do Norte. E a pergunta é que se você não tem membrezia de igreja, como você pode fazer ou aplicar a disciplina? Como você pode excomungar alguém de uma comunhão de que eles nem participam? Há alguns anos atrás, dei uma série de palestras no México para os pastores; e após as palestras, nós tivemos algumas discussões; e aí, os pastores me colocaram um problema muito comum que eles estavam enfrentando.  Esses pastores estavam ensinando nas igrejas o que a Bíblia ensina sobre sexualidade, a Bíblia diz, eles estava ensinando que as pessoas não podiam se juntar antes do casamento, e ter relações sexuais antes do casamento.  E naquela cidade entre muitos que se chamavam de cristãos, esse tipo de ensino tornou-se um problema. É como se todo mundo no México, simplesmente praticassem esse tipo de coisa; e eles simplesmente não queriam se casar. E aí quando os pastores iriam ali e pregavam contra aquilo, contra essa prática; as pessoas que estavam escutando esses ensinamentos, simplesmente, faziam o quê? Elas não voltavam para aquela nova igreja; elas simplesmente iam para uma outra igreja. E aí eles continuavam naquela igreja até o dia em que escutassem de novo a mesma mensagem. E ali os pastores, estavam ali demonstrando suas frustações. E eles perguntavam:  O que podemos fazer para resolver isso? Então eu perguntei: vocês tem membrezia da igreja? Vocês tem disciplina da igreja? E a resposta para ambas as perguntas foi: Não! Simplesmente essas pessoas não estavam ensinando o que Jesus ensinou em Mateus 18. E esse era o problema, e era um problema generalizado em todo o mundo. Nós podemos ser gratos que as igrejas tanto presbiterianas quanto reformadas têm uma tradição de seguir o que a Bíblia ensina. Nós nem sempre temos feito isso de uma forma consistente. Nós, nem sempre, tivemos feito isso de uma forma positiva, mas é parte de nossa confissão. É encontrado tanto nas Três Formas de Unidade quanto nos Padrões de Westminster escritos pelos Puritanos e por muitos outros. Nós não podemos ficar simplesmente indiferentes com relação a esse assunto porque, no final das contas, uma igreja sem disciplina, não é igreja.

Então Cristo exercita a disciplina, administra a disciplina através da igreja. E no que diz respeito à instrução? Onde é que Cristo nos ensina? Sim, a resposta pode ser que Ele nos ensina na Sua Palavra. À medida que você lê sozinho a Bíblia em sua casa, ou na sua família, mas também Cristo nos ensina quando a Sua Palavra é autoritativamente pregada no contexto da igreja. Quando nós escutamos a pregação fiel das Escrituras, ela é a Palavra de Deus diretamente para nós. E obviamente, existem diversas maneiras, algumas maneiras com as quais posso provar isso para vocês. Veja por exemplo, o que as Escrituras dizem em Efésios 2, versículo 17: “E, vindo, evangelizo paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto”. É exatamente isso o que o texto diz: foi Cristo quem estava aqui e que pregou paz aos Efésios; onde é que o texto diz que Cristo pessoalmente foi lá e estave presente em Éfeso, materialmente? Ele nunca foi lá em Éfeso, mas o texto nos diz que foi Cristo quem pregou para eles. Como? Através do ministério fiel da igreja. Como pregadores como Paulo, Timóteo e muitos outros. Quando a Palavra é fielmente pregada é Cristo ensinando fielmente para nós. A Segunda Confissão Helvética foi escrita 5 anos depois que foi escrita a Confissão Belga. Foi escrita em 1566, e a Segunda Confissão Helvética coloca esse ponto com uma clareza formidável: “A pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”.

Nosso chamado enquanto cristãos é no submeter àquilo que Cristo está fazendo através do ministério da igreja, é isso o que Hebreus 13: 17 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma como quem deve prestar contas; como quem faz isso com alegria e não gemendo porque isso não aproveita a vós outros”. O que significa submeter? Isso significar simplesmente se entregar; significa colocar de lado os seus desejos pecaminosos e se render para aquilo que Cristo quer de você. E você percebe o que Hebreus 13: 17 diz a respeito do resultado desse tipo de comportamento para com a igreja: se nós nos submetemos aos nossos líderes à medida que eles nos guiam e disciplinam e eles podem fazer o seu trabalho com alegria. Esse trabalho também será um trabalho de vantagem e de coisas boas para nós. Nós estaremos sendo mantidos em segurança em Cristo. Essa é uma das grandes vantagens, nós vamos crescer em Cristo, essa é uma outra vantagem. E em última instância estaremos vivendo as nossas vidas para a glória de Deus. E aí nossas vidas terão significado, vão ter propósito, direção. Quanto mais grandes vantagens percebemos! Você percebe como o Espírito Santo exibe, segura essas vantagens para nós? É um incentivo para que nós nos submetamos à disciplina da igreja.

Continua…

Fora da igreja não há salvação (2)

Parte 2 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

O Cavaleiro Solitário e Tonto

O Cavaleiro Solitário e Tonto

Desde do início, precisamos deixar algumas coisas bem claras. Precisamos colocar os nossos olhos na grande figura, numa figura geral aqui. Essa figura geral, envolve Cristo, enquanto Salvador. É no Seu amor que Ele nos redimiu do pecado. Ele viveu uma vida de amor pelo Seu povo; e ainda hoje continua a amar todos aqueles que lhes pertencem. Foi pelo Seu amor que Ele foi para a cruz para morrer em nosso lugar. Amados, temos um evangelho que fala de um Salvador que cuida de nós e que tem cuidado de nós, de forma profunda e individual. E nós também temos um evangelho que nos ensina que também temos um Salvador que nos ama enquanto grupo, enquanto corpo. Em diversos locais da Escritura, temos visto que está escrito que o nosso Cristo ama a Sua igreja; isso significa que Ele ama a igreja Católica ou Universal, mas Ele também tem o Seu coração ou Seu amor na Sua igreja local. Jesus nos ama e deu a sua vida por nós. E quando nós pensamos a respeito da igreja e da nossa necessidade da igreja, e da igreja, essa verdade precisa ser estampada, colocada na frente.

Outra coisa que precisamos, também, colocar na frente é a relação íntima entre a Igreja Católica, Universal, e a igreja visível. Já falei sobre isso; mas acho que é plausível que falemos um pouco mais sobre isso.  Vamos tentar manter o mais simples possível. O fato é que a igreja Católica se revela em Congregações locais, em Congregações locais nas quais o evangelho é fielmente proclamado. Quando os sacramentos são administrados na forma que Cristo assim ordenou e onde a disciplina da igreja é levada a sério. A Igreja Católica, verdadeiramente, se manisfesta naquelas igrejas fiéis e verdadeiras ao nosso Senhor, congregações locais.

E é exatamente dentro dessa perspectiva que a Confissão Belga faz o salto entre o Artigo 27 e o Artigo 28, entre o artigo da catolicidade e o artigo 28 da necessidade da igreja. O Artigo 27 lida com a igreja de uma forma larga, ampla; mas quando chegamos no Artigo 28 a Confissão Belga trata da igreja  de onde alguém pode e deve sair. O Artigo 28 fala também da igreja a partir de um local onde alguém pode ingressar. Ele fala também da igreja que provê instrução, que administra disciplina; é um corpo em que irmãos e irmãs servem-se uns aos outros em edificação. E ainda dentro desse contexto a nossa Confissão Belga faz um link essa igreja individual com a Igreja Universal. Ela faz esse link dizendo que essa congregação local é a assembleia daqueles que são redimidos e assim vai. A Igreja Católica torna-se visível, concreta na igreja local.

É nessa congregação local onde você escuta a pregação do Evangelho todos os domingos. É nessa igreja local onde a sua Fé é fortalecida com a administração dos sacramentos, do Batismo e da Santa Ceia do Senhor dominicalmente. É dentro desse contexto da igreja que o amor de Cristo é concretizado, demonstrado pelo cuidado dos presbíteros. Presbíteros que cuidam, que se preocupam com o seu bem estar espiritual. Normalmente, você é trazido para a igreja de Cristo através da pregação e do ensino da Palavra do Senhor.  E normalmente você é mantido na igreja através da Pregação da Palavra e da administração dos Sacramentos no contexto da igreja. E através também da administração da disciplina. A igreja é o instrumento de Cristo para trazer-nos para Si mesmo e para nos manter salvos Nele.

É exatamente por isso que a Confissão Belga vai adiante e diz que não existe salvação fora da igreja. Agora, percebam que não foi Guido de Brès quem inventou essa sentença.  Ela, originalmente, veio pelo pai da igreja Cipriano. E tem sido repetida por Cristãos fiéis desde que ela tem sido falado por Cipriano: “Não existe Salvação fora da igreja.” Agora, deixa eu dizer para vocês, primeiro, o que essa sentença não significa. Ela não significa que não existe cristãos fora da igreja onde nós congregamos; ou que não existe outros cristão que não sejam como nós. Ela também não diz que salvação depende de alguém ser reformado ou presbiteriano. De maneira nenhuma, não quer dizer nada disso. Existem muitas pessoas que são cristãos verdadeiros que não pertencem à nossas igrejas ou nossas igrejas irmãs. E eles têm vida eterna por causa da obra de Cristo que foi feita por eles; e porque o Espírito Santo trabalhou fé genuína nos corações deles. Então, o que essa sentença significa? Significa que salvação vem, normalmente, através da administração dos meios de graça entregues à igreja como o próprio Senhor Jesus Cristo. Cristo apontou pregadores para trazer a Palavra da verdade para a igreja. É através da pregação da Palavra que vêm convicção de pecado. E é através da Palavra pregada que vem o descansar e o confiar em Cristo para a salvação das nossas almas e nossos corpos. É exatamante através da administração dos Sacramentos que a nossa fé é fortalecida e mantida.  Se nós desviamos a igreja vai nos amar suficiente para nos chamar a voltar ao arrependimento.  Essa é a forma normal de funcionar; essa é a forma que a igreja deve funcionar. E é exatamente isso que significa afirmar que não existe salvação fora da igreja. Salvação e igreja vêm juntas, e estão juntas. Salvação ordinariamente acontece através do ministério da igreja.

É por isso que João Calvino falou que “aquele que tem Deus por pai, também têm precisa ter a igreja por mãe.” Nós temos por Cristo, através de Cristo um Pai celestial; mas aqui na terra, nós também temos uma mãe espiritual. E essa mãe espiritual é a igreja. A igreja que é a noiva de Cristo; e a igreja que é o local onde Deus cuida das suas crianças. Deus cuida e alimenta a sua igreja, o seu povo através da igreja: provendo alimento e tudo o mais que eles precisam para o seu crescimento espiritual e para o seu desenvolvimento espiritual. E mais uma vez, não foi João Calvino quem criou esse ensinamento. Ele aprendeu do próprio apóstolo Paulo em Gálatas 4: 26.  Paulo fala a respeito da Jerusalém que é celestial. Ele diz que essa Jerusalém celestial é a nossa mãe. A Igreja Católica ou a Igreja Universal, ela é que é a mãe dos cristãos. E aquela mãe espiritual, aparece exatamente na igreja local. É exatamente, nessa igreja local que os crentes serão trazidos para a presença do Seu Pai Celestial. Ela será trazida, crescida pela sua mãe espiritual.  Então, Calvino estava correto: “A pessoa que quer ter Deus por Pai, precisa ter a igreja por mãe”. Percebam que as Escrituras nos chamam e ter uma visão muito elevada a respeito da igreja: se Deus a chama nossa mãe; então, obviamente que nós precisamos honrar a nossa mãe espiritual. Assim como nós honramos as nossas mães materiais.

Então, em todas as vezes, em qualquer situação em que a igreja de Cristo se manifesta em uma congregação local; nós deveremos querer ser parte dela numa maneira real. E sabe, às vezes, há essa ideia de ser o cristão cavaleiro solitário por aí. Você lembra, o Cavaleiro Solitário era um ator de televisão americana, que passava um seriado há alguns anos atrás? Ele era uma figura lendária do velho oeste que lutava por justiça. E aí o seu grito de guerra era o: “Aiô silver, vamos lá!”! E ele tinha o seu escudeiro, chamado Tonto; mas, tirando Tonto, ele vivia sozinho. O Cavaleiro Solitário era o machão americano. E não precisava de ninguém, não precisava de absolutamente ninguém para conseguir ou conquistar aquilo que ele queria conseguir ou conquistar. E muitos hoje chamando-se de cristãos tem a mesma mentalidade do Cavaleiro Solitário. Eles até chegam a pensar que a igreja é um obstáculo para que eles sejam cristãos de verdade. A igreja torna-se uma distração para essas pessoas. Um lugar onde só tem pessoas vidas estragadas. É tão mais fácil você ser cristão sozinho; e talvéz, isso pode até soar algo interessante; mas, amados, precisamos chamar esse pensamento daquilo que esse pensamento verdadeiramente é: isso é desobediência! A Palavra de Deus é clara.  Veja, por exemplo, em Hebreus 10:25, aquela passagem vastamente conhecida, que nós não devemos negligenciar o congregarmos juntos. Será que alguém pensa que esse ajuntar-se é um outro ajuntar-se a não ser enquanto assembleia de Cristo; enquanto, igreja de Cristo.  Bom… alguém pode argumentar: “mas a passagem não fala de igreja”; mas ela não precisa falar de igreja; quando o Novo Testamento fala, nessa expressão, “ajuntar-se” é obvio que o texto está se referindo, o termo se refere a ajuntarmos enquanto o igreja. Quando nós nos ajuntamos para sentar e virmos participar do ministério da Palavra e dos Sacramentos.

Juntando-se à igreja, tornando-se parte da igreja, estando debaixo do ministério da Palavra e dos Sacramentos executados na igreja; todas essas coisas precisam ser de grande alegria para nós. Não um peso em nossas costas, nem muito menos uma distração, muito pior um obstáculo em nosso relacionamento para com Deus; se você quer ser um cristão de verdade! Não é somente uma questão simples de “ok!”, eu tenho que ir para a igreja e para o culto porque simplesmente Deus me manda ir para o culto; o que é mais importante é a maneira de desejar estar no culto público da igreja.

Continua…

Fora da igreja não há salvação (1)

Parte 1 de uma palestra sobre artigo 28 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

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A Igreja é necessária ou não? Escute a resposta que, deu para essa pergunta, por um canadense muito popular:

– “Acho que muitas pessoas que são religiosas estão perdidas! Elas vão para a igreja simplesmente por ir à igreja. Não estou tentando desrespeitá-las, mas para mim, eu foco mais a vida em oração; em conversar com Ele, eu não preciso ir para a igreja”.

Então de acordo com Justin Bieber, ir à igreja não é necessário. Mas ele precisa ainda das orações! Mas enquanto ele precisa das orações, na igreja, é onde você encontra as pessoas que estão ali pelas moções, pelas moções da igreja enquanto instituição. Essas pessoas que vão à igreja não são genuínas, não são verdadeiras.  E essa é a visão de muitos jovens cristãos que estão no Canadá, nos Estados Unidos e, provavelmente, que estão ao redor do mundo.

E de fato, muitas vezes, essa opinião está presente não somente nessa faixa etária, mas ao longo de todas as faixas etárias, uma diversidade de idades. E muitas vezes, está no pensamento daqueles que são reformados e presbiterianos. Para muitas pessoas, a igreja pode ser comparada a uma academia; então, por um tempo, por exemplo, fui à uma academia e achei legal. Ela, aquela academia, supria as minhas necessidades. E aí, nós nos mudamos para outro local, e aquela academia que eu frequentava ficou muito longe para mim e comecei a ir para uma outra que era mais perto da minha casa. Também era legalzinha, mas depois de um período percebi que ela era muito cara e aí eu parei de ir para aquela nova academia. E o que aconteceu é que depois de algum tempo, levou um pouco de tempo para perceber, que eu não precisava, de maneira nenhuma, de uma academia para ser uma pessoa fisicamente ativa. Posso tomar conta da minha saúde em minha própria casa, saindo por exemplo para uma boa caminhada. Eu não precisava da academia! Você percebe a analogia aqui? Se a academia não supre as minhas necessidades, então eu vou e encontro uma outra academia que as supra. Se ela é muito cara, se ela faz muitas exigências para mim. Então, eu tenho uma opção de encontrar uma academia que seja mais barata ou que se adeque ao meu estilo de vida. E, no final do dia, posso chegar a conclusão de que não preciso de uma academia, de maneira nenhuma. Eu posso fazer na minha casa sozinho, e é exatamente, dessa maneira, que muitos pensam a respeito da igreja; pode ser um lugar legal, desde que ela alcance as suas necessidades, mas de em última instância, ela é desnecessária para os cristãos. E se você acha que precisa da igreja, a sua escolha de uma igreja passa a ser regulada a partir do que você deseja e pelas suas necessidades, é tudo centrado no seu eu; em você.

Então, aquele Justin Bieber, ele estava certo pelo menos em uma coisa, ele estava certo quando falou, muitas pessoas que são religiosas, acho que elas se perdem. Perdem-se não entendendo que precisam de Deus e da Palavra de Deus, serem supridos por Deus e pela Palavra de Deus.  Muitas pessoas estão perdidas porque elas não pensam a respeito dessas coisas à luz, do que se refere, dos ensinamentos de Cristo e das Escrituras. E é exatamente isso que iremos fazer aqui, através das Escrituras e da Confissão Belga. O que as Escrituras a respeito da necessidade da igreja? Na Confissão Belga, temos um resumo a respeito desse assunto, e obviamente, será esse resumo que vai ser o nosso guia de estudo. Vamos perceber que, ao contrário do que muitas pessoas dizem, a igreja não é opcional para o cristão. E quero considerar com vocês que é dever do cristão fazer três coisas:

  1. juntar-se e unir-se com uma igreja;
  2. submeter-se às instruções e à disciplina da igreja,
  3. e servir a outros crentes na igreja.

Continua…