Dez coisas que eu aprendi com a Escolástica Reformada (1)

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Embora não com tanta frequência como anteriormente, ainda, por vezes, vemos a palavra “escolástica” usada como pejorativo – em outras palavras, como um termo desagradável. Se alguém é considerado “escolar”, em seguida, ele deve ser um dos bandidos na história da teologia. É semelhante à palavra “puritano” para algumas pessoas. É um insulto. Se alguém é “puritano” ou “puritana”, então eles devem ser, na melhor das hipóteses, suspeitos. É o mesmo com a palavra “escolástica” – uma palavra suja que lança instantaneamente uma nuvem escura.

Em um período no tempo, estes tipos de noções eram generalizadas. No entanto, nas últimas duas ou três décadas, houve uma mudança na discussão da forma escolástica. Isto é devido principalmente à influência de eruditos como Richard Muller, David Steinmetz, e Willem van Asselt. Devido as discussões, agora é amplamente reconhecido que a escolástica era um método de ensino na teologia – que não têm conteúdo em si. Havia escolásticos medievais, havia escolásticos católicos romanos, havia escolásticos luteranos, e havia escolásticos reformados. Cada um utilizava o método escolástico para ensinar a teologia que consideravam ser correta.

Eu cheguei a apreciar melhor este método de ensino através da minha pesquisa de doutorado sobre a Confissão Belga. A Escolástica medieval está no fundo da Confissão Belga, especialmente em sua estrutura (Cap 4: Para a causa do Filho de Deus). A escolástica protestante está ainda mais arraigada no fundo dos Cânones de Dort. Os Cânones por si não são de caráter escolástico – e pela sua forma – eles ainda carregam as marcas de homens que se beneficiaram do método. Não deve ser nenhuma surpresa. Muitos dos delegados ao Sínodo de Dort ou eram teólogos que utilizaram o método escolástico ou pastores que tinham sido escolasticamente treinados.

Eu também fui muito beneficiado por estudar este método. Enquanto eu acho que seria inadequado importar o método escolástico para o mundo de hoje, ainda é um bom negócio ser ensinado por ele, especialmente como foi implementado pelos teólogos reformados na era pós-Reforma. Deixe-me compartilhar dez coisas que eu aprendi através da escolástica reformada.

1. Uma boa Teologia começa com uma sã exegese

Reformados escolásticos são às vezes descartados como “tendenciosos à distorção do texto bíblico”. Ao longo de sua teologia até mesmo poderia funcionar, eles fazem referências a Escritura, mas nem sempre entram em discussões exegéticas nessas obras (há exceções). Mas isso não significa que a exegese estava completamente fora de cogitação – longe disso! Na verdade, antes de escrever obras de teologia, muitos teólogos escolásticos haviam produzido pela primeira vez comentários exegéticos.  Só no livro de Romanos, a Biblioteca Digital de Pós-Reforma indica 236 títulos. Nem todas elas são obras reformadas, mas muitas a são. O estudo bíblico intensivo foi a base para a teologia reformada ensinada à luz do método escolástico.

2. O seu conteúdo histórico

A nossa era é muitas vezes indiferente à história. Como um método nas mãos dos teólogos reformados, a escolástica trabalhou com os pensamentos e as conclusões daqueles que já se foram há muito tempo. Por exemplo, eu me virei para uma página aleatória, em um importante texto escolástico muitas vezes referido como A Leiden Sinopse. Aqui Antonius Thysius está discutindo o que significa ser criado à imagem de Deus. Ele se refere à visão de Tertuliano e outros que “o homem todo é propagado à partir de todo o homem”. Mais tarde, na mesma página, ele interage com outro pai da igreja, Orígenes. O fato de que eles eram tão intimamente familiarizados com estes pais da Igreja demonstra que as discussões estavam em um nível diferente de nosso tempo, como nos dias de hoje.

3. A importância da sistematização

Enquanto eles não eram os primeiros a entender isso, os reformados escolásticos sstentaram que a teologia bíblica é um sistema interconectado. Neste sistema, todas as partes se referem, de alguma forma para todas as outras partes. Além disso, foi claramente compreendido pela maioria desses teólogos que há uma “lógica” construída na teologia cristã. Portanto, quando você lê um texto como Amandus Polanus – Syntagma Theologiae Christianae, você pode esperar que ele vai começar com questões preliminares (prolegômenos), mover-se para a doutrina da Escritura, então a doutrina de Deus, lidar com a criação, pecado, redenção e assim por diante, até a doutrina das últimas coisas (escatologia). Este padrão tem sido continuado por muitos teólogos sistemáticos desde então.

4. Fazer boas perguntas

Se você quiser boas respostas, você tem que fazer boas perguntas. Teólogos escolásticos reformados eram habilidosos na formulação de questões que os levariam a obter respostas úteis. Esta foi uma parte essencial do método escolástico de treinamento. Questões seriam formuladas tanto em termos de uma tese ou de uma pergunta. Enquanto o Catecismo de Heidelberg não é um documento escolástico, o comentário de Zacharias Ursinus no catecismo o é certamente. Quando ele discute Pergunta 21 sobre a verdadeira fé, ele identifica seis questões chaves que ajudam a esclarecer esta doutrina:

  • O que é a fé?
  • De quantos tipos de fé que as Escrituras falam?
  • Em que a fé difere da esperança?
  • Quais são as causas eficientes da justificação pela fé?
  • Quais são os efeitos da fé?
  • A quem é dada?

Este método também foi empregado por Francis Turretin em seus Institutos de Elenctic Teologia -, bem como por muitos outros.

5. Utilizar definições precisas

Teólogos muitas vezes usam as mesmas palavras, mas com significados diferentes. Um teólogo católico romano vai usar a palavra “justificação”, mas ele quer dizer algo bem diferente do que o que significa para um teólogo reformado. Por isso, é sempre importante definir com precisão termos importantes. Voltando à justificação, podemos notar Petrus van Maastricht como um exemplo. Em seu teórico-Practica Theologia (6.6), primeiro ele dá uma visão exegética das passagens bíblicas relevantes (ver ponto 1) e, em seguida, move-se em uma discussão dogmática com base nisso. Como parte disso, ele fornece uma definição precisa de justificação: por causa da justiça de Cristo, Deus absolve crentes de todos os seus pecados e os declara justos para a vida eterna. Justificação, de acordo com van Maastricht, inclui imputação de nossos pecados a Cristo e a sua justiça a nós dada por Deus. Ele não assume a definição deste termo chave, mas o torna claro e prossegue nessa mesma base.

(continua…)

Tradução e adaptação: Eduardo Moro Dutra

Revisão: Joffre Swait

Nossa consolação indizível na doutrina reformada da eleição (5)

Parte 5 de um sermão sobre Cânones de Dort 1.7 — preparado pelo pr. Wes Bredenhof

Esta doutrina reformada da eleição tem um resultado nas nossas vidas.  Temos a consolação indizível de ser o povo escolhido de Deus.  Ele nos amou e ainda nos ama — vai amar sempre!  Olhe novamente para Paulo em Efésios 1.  Ele está muito entusiasmado.  Às vezes, quando alguém está animado ele fala e fala e não para.  Ele não para para respirar.  Igualmente é Paulo aqui em Efésios 1.  Em grego, a gramática deste capítulo é ruim — as frases são longos e não pare.  Todavia, esta é a gramática de alguém que está entusiasmado.  Paulo não é um teólogo estoíco aqui, sem sentimentos, sem emoção.  Ele está exultante em Deus!  O Espírito Santo quer nos fazer isso também.  Os Cânones de Dort resumem a Bíblia fielmente, assim eles querem nos fazer isso também.  Por isso, o Sínodo de Dort estava preocupado com os erros arminianos.  Eles roubaram a glória de Deus para salvação.  Os arminianos deram algum crédito ao homem, quando Deus merece todo o crédito.  Assim, um resultado da doutrina reformada da eleição é todo o louvor a Deus para salvação.

Além disso, há Efésios 1.4.  Ele diz que Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis perante ele.  Eleição não é baseada em santidade e inocência.  Aqueles são os resultados da eleição.  Deus nos escolheu antes da fundação do mundo.  Nós vimos a este mundo e, pela graça de Deus, acreditamos em Cristo.  E quando conhecemos a graça de Deus, queremos amá-lo e agradá-lo.  Quando conhecemos a doutrina reformada da eleição, nos tornamos cristãos agradecidos que querem andar nos caminhos de Deus.  Como uma resposta ao nosso Deus gracioso, queremos viver para ele com entusiasmo, seguindo a Palavra dEle.

Portanto, amada congregação, preciso perguntar a cada de vocês, Você vê a graça de Deus para você?  Você acredita em Cristo, né?  Você só confia nele.  Você vê que isso é a obra de Deus em sua vida?  Realmente, isso é a obra de Deus antes da fundação do mundo.  Então você deve adorar este Deus grande.  Você deve viver para o seu Deus todos as dias.  Queremos viver para ele reverentemente, propositadamente, dando glória ao Deus grande da nossa salvação.

Talvez este sermão te faz ter mais perguntas.  Por exemplo, como você saber que você é com os eleitos?  Diria leia os Cânones de Dort.  Os Cânones dão respostas a estas perguntas e outras como elas.  Eles falam biblicamente e se você lê eles com a Bíblia, você vai ver isso.  Você vai ver que, sem dúvida, há consolação nessas doutrinas da graça — consolação indizível.  Porque temos o Deus grande que nos ama profundamente em Jesus Cristo.  Amém.

Nossa consolação indizível na doutrina reformada da eleição (3)

Parte 3 de um sermão sobre Cânones de Dort 1.7 — preparado pelo pr. Wes Bredenhof

Agora, vamos considerar a base da nossa eleição.  Esta é a diferença mais importante entre os reformados e os arminianos.   Armínio e os seus alunos concordaram que há uma doutrina da eleição na Bíblia.  Porém há um problema na definição deles.  Hoje, se você encontrasse alguém dizendo que é um cristão e dizendo que ele acredita na eleição, você não poderia supor que ele acredita as doutrinas da graça.  Não poderia supor que ele acredita a doutrina da salvação reformada.  Os arminianos acreditam na eleição também.  O problema é na base da eleição.

Os arminianos acreditam que Deus é onisciente.  Ele conhece todas as coisas presente e futuro.  Portanto, eles disseram, antes da criação do mundo, Deus olhou no futuro.  Ele viu algumas pessoas que iria cooperar com a sua graça e crer em Jesus Cristo.  Deus escolheu eles na base do que ele viu que eles vão fazer no futuro.  Com os arminianos a base da eleição é fé prevista.

Contra essa crença, o Sínodo de Dort insistiu que a base da eleição é segundo o soberano beneplácito da Sua vontade e por pura graça.  Os artigos 9 e 10 no primeiro capítulo dos Cânones diz mais.  O artigo 9 rejeita a crença arminiana, a eleição não se baseia em fé prevista.  Então, o artigo 10 explica a crença bíblica, a eleição baseia-se no beneplácito de Deus.  Na graça dele, Deus decidiu salvar alguns.  Não porque eles são as pessoas melhores.  Não porque eles são as pessoas mais dignas.  Não porque eles têm uma fé forte.  Mas apenas porque Deus decidiu assim e a sua vontade é boa.

Os Cânones dizem isso, mas o que diz a Bíblia?  Efésios 1.4-5 diz em amor nos predestinou para ele…segundo o beneplácito de sua vontade. Atos 13.48 diz claramente também.  Quando Paulo e Barnabé pregaram o evangelho aos judeus, alguns acreditavam.  Porém outras muitas pessoas reagiram contra o evangelho.  Então Paulo e Barnabé foram para os gentios.  Atos 13.48 nos diz o resultado, Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.  Eles acreditavam porque foram destinados para a vida eterna — eles não foram destinados para a vida eterna porque acreditavam.  Meus irmãos, a fé vem por causa da eleiçao.  A fé não é a base da eleição.

A base da nossa eleição é no beneplácito e na vontade de Deus em Cristo.  Nos não podemos separar a nossa eleição de Cristo.  O trabalho dele na história está ligado com a nossa eleição na eternidade.  Amada congregação, vocês precisam entender:  não apenas Deus decidiu nos escolher na eternidade (antes da fundação do mundo), também ele decidiu a forma como a nossa eleição aconteceria na história, e que estariamos em Cristo.  A Bíblia ensina que todas as pessoas escolhidas por Deus são dadas a Cristo (João 10.28-29).  Todos os eleitos estão unidos a Cristo no tempo deles.  Eles serão guardados em Cristo.  Eles serão glorificados em Cristo.  Que conforto!

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Nossa consolação indizível na doutrina reformada da eleição (2)

Parte 2 de um sermão sobre Cânones de Dort 1.7 — preparado pelo pr. Wes Bredenhof

Assim, a doutrina da eleição ensina que Deus nos escolhe.  Todavia, ante a discussão do tempo, precisamos perguntar, “Por que próposito Deus nos escolhe?”  Se leremos Efésios 1, a resposta tem vários aspectos.  Versículo 5 diz, …nos predestinou para ele, para a adoção de filhos.  Ele escolhe-nos para sermos os filhos especiais dele.  Se leremos versículo 12, Paulo diz que nossa eleiçao é a fim de sermos para louvor da sua glória.  Paulo diz a mesma coisa várias vezes neste capítulo.  E no versículo 4, Deus nos escolheu “para sermos santos e irrepreensíveis perante ele.”  O Catecismo de Heidelberg PR 54 diz que Deus nos escolheu para a vida eterna.  Os Cânones de Dort diz o mesmo no primeiro capítulo, artigo 7.  Deus nos escolheu para a salvação.  Portanto, a doutrina da eleição significa que Deus nos escolheu para a salvação do pecado e todos os seus efeitos, especificamente a ira de Deus contra o pecado.  Além disso, a doutrina significa que Deus nos escolheu para que, depois de termos sido salvo, vamos caminhar no caminho da salvação — o qual preparou para que andássemos nele (Cânones 1.8).  Então, eleição fala sobre tudo o que está envolvido em ser um cristão.

Confessamos também que esta doutrina da eleição envolve “um número definido de pessoas específicas.”  Deus não escolheu um grupo de pessoas anônimas.  Isso é o que algumas pessoas acreditam.  Mas a nossa confissão fala de forma diferente, ela diz da eleição de pessoas específicas.  Deus escolhe pelo nome.  Como sabemos que isso é verdade?  Podemos pensar sobre o que a Bíblia diz de Jacó.  Deus diz especificamente que ele o escolheu (Mal. 1.2-3).

Agora, vamos considerar o tempo da eleição.  Aqui, a Bíblia fala claramente.  Efésios 1.4 diz, …assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo Em outras palavras, Deus decidiu nos dar a salvação em Cristo antes que o mundo existisse.  Ante Gênesis 1.1 Deus decidiu dar a salvação para um número de pessoas específicas e sabia os nomes dessas pessoas.  Pense sobre isso, meus irmãos.  Quando não havia estrelas no céu, Deus sabia o seu nome.  Quando não havia aguas no oceano, Deus decidiu que Jesus iria te salvar.  Quando não havia criatura no mundo, Deus te amou e decidiu que você iria morar com ele para sempre.  É por isso que Paulo é tão entusiasmado em Efésios 1!  É por isso que Paulo louva a Deus.  O Espírito Santo quer que façamos o mesmo.  Ele quer que pensemos sobre essas coisas a fim de que estamos impressionados com Deus, e seu poder, e seu amor.  Esse amor vai além do tempo e da criação.  Maravilhoso, né?  Além disso, há o conforto de saber que Deus sempre teve as nossas vidas na sua mão.  Nós não somos os produtos do ocaso.  Temos Deus que sempre nos conhece pessolamente, também antes da fundação do mundo.  Ele nos escolheu em amor.

Mas há as perguntas.  Vamos responder a uma delas.  Deus nos escolheu antes da fundação do mundo.  Deus nos escolheu para a salvação do pecado e todos os seus efeitos.  Então, séra que Deus ordena o pecado também?  Deus é soberano, né?  Ele controla todas as coisas.  Então, Deus decidiu que Adão e Eva iriam pecar?  Estas perguntas não são novas.  O Sínodo de Dort discutido elas também.  Os Cânones de Dort são muitos cuidadosos.  Eles têm o cuidado de seguir a Bíblia somente.

Sal. 119.68 diz, Tu és bom e fazes o bem.  Deus não tem a responsibilidade pelo pecado.  Nem pensar!  Você não pode culpar a Deus para o mal.  Dizer ou pensar que Deus é o autor de pecado é blasfêmia (Cânones 1.15).  Não podemos pensar que Deus é responsável.  Como artigo 7 do capítulo 1 nos Cânones diz, toda a raça humana, caída pela própria culpa do estado original de integridade no pecado e na perdição…  Nós somos os culpados, e não Deus.  Para a salvação, nós louvamos a Deus 100%.  Mas a raça humana tem de 100% a responsabilidade pelo pecado.

Meus irmãos, a Bíblia não nos diz como conciliar eleição antes da fundação do mundo com eleição para a salvação do pecado.  Os téologos têm várias teorias, mas todas as teorias têm as problemas.  Acho que a Confissão Belga é útil aqui, no artigo 13 leremos,

E quanto àquilo que Ele faz que ultrapassa o entendimento humano, não queremos investigar curiosamente além da nossa capacidade de entender. Mas adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos.  Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, que devem aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites.

Amada congregaçao, só isso!  Isso é que precisamos acreditar.  Somos discípulos de Cristo.  Precisamos aceitar o que ele diz em sua Palavra com humildade.  Precisamos confiar em Deus.  Ele sabe todas as respostas, mesmo que nós não sabemos.

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Nossa consolação indizível na doutrina reformada da eleição (1)

Um sermão sobre Cânones de Dort 1.7 — preparado pelo pr. Wes Bredenhof

Amada congregação do Cristo,

Missões não são o objetivo final da igreja.  É a adoração.  Missões existem porque a adoração não existe.  A adoração é o objetivo final, não missões, porque Deus é supremo, não o homem.  Com estas palavras John Piper começa seu livro, Alegram-se as Nações.  Piper tem razão.  Queremos que Deus seja louvado, portanto nós nos preocupamos com as pessaoas perdidas, portanto nós oramos por eles, portanto queremos traze-las o evangelho.  Queremos dar toda a glória ao nosso grande Deus.

Os Cânones de Dort querem fazer o mesmo.  Os Cânones de Dort estão falando sobre a glória de Deus e querem trazer mais glória a Deus.  Os Cânones de Dort foram escrito para refutar alguns erros nas igrejas reformadas na Holanda.  Havia um pastor chamado Jacobus Harmenzoon (1560-1609).  Nós o conhecemos melhor como Armínio, seu nome em latim.  Armínio começou a ter questionamentos sobre algumas das doutrinas da Confissão Belga e do Catecismo de Heidelberg.  Especificamente, ele questionou a doutrina da eleição e outras doutrinas ligadas a ela.  Isto tornou-se uma controvérsia na Holanda.  Armínio morreu em 1609, mas ele teve alunos que continuaram seus erros.  O Sínodo de Dort foi convocado em 1618 para refutar esses erros.  Este Sínodo escreveu nossa terçeira confissão, os Cânones de Dort.  A palavra “cânone” aqui significa um julgamento da igreja.

Mas, o que foi mais importante para o Sínodo?  Nós precisamos ouvir o próprio Sínodo em sua conclusão.  A conclusão fala sobre a glória de Deus.  Os pastores deveriam ensinar essas doutrinas da graça  para procurar a glória do nome de Deus.  Tudo o que os pastores diziam, deveria ser para a glória de Deus e a edificação dos seus ouvintes.  Assim, aprendendo sobre essas doutrinas não é um exercício intelectual, mas um exercício de adoração.  Queremos aprender sobre essas doutrinas da graça, porque queremos que Deus seja glorificado.  Isto não é apenas para o ensino de nossos cérebros, mas inflamar nossos corações.  Podemos dizer, “A doutrina correta não é o objetivo final da igreja.  É a adoração.”

Assim, vamos considerar a doutrina da eleição neste sermão.  A definição da eleição é simples:  Deus nos escolhe.  As crianças podem aprender esta definição também.  Eleição significa que Deus nos escolhe.  Muito fácil.

Todavia, há algo a mais a dizer.  Precisamos ir do leite à carne.  Precisamos de fazer perguntas como, “Por que próposito Deus nos escolher?  Quando?  Por que?  Quais são os consequencias?”

Ás vezes, pensamos no Catecismo de Heidelberg como nossa confissão de conforto.  Porém, o tema de conforto está nos Cânones de Dort também.  Ele está em toda parte.  Primeiro capítulo, artigo 6, conclui dizendo que a doutrina da eleição proporciona consolação indizível às almas santas e tementes a Deus.  Com esse conforto, esta doutrina vai nos conduzir à adoração a Deus novamente.  Esta doutrina vai nos conduzir a viver por ele todos as dias.  Assim, vamos aprender sobre nossa consolação indizível na doutrina reformada da eleição.

Vamos considerar,

1. O tempo da nossa eleição

2. A base da nossa eleição

3. Os resultados da nossa eleição

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