Como se beneficiar da Ceia do Senhor

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Antes de uma recente celebração da Ceia do Senhor em minha igreja, aproveitei a oportunidade para dar um pouco de ensino extra sobre como os cristãos podem e devem se beneficiar do sacramento da Ceia do Senhor.

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Antes de ler a Forma para a celebração, quero apenas dar algumas instruções extras por um momento sobre como se beneficiar da Ceia do Senhor. Você já foi à Ceia do Senhor e depois se afastou dela e se perguntou: “O que foi aquilo? O que eu deveria ganhar com isso? ”Você já se perguntou:“O que deveria acontecer comigo na Ceia do Senhor?”

Bem, a Ceia do Senhor é um sacramento destinado a fortalecer nossa fé. É fácil pensar que isso é algo que está fora de nossas mãos. Nós vamos sentar à mesa, e então apenas esperarmos e vermos o que acontece. É como se estivéssemos esperando que um raio espiritual nos atingisse e recarregasse nossa bateria espiritual. Pode acontecer e pode não, mas está fora de nossas mãos. Mas nada acontece. Nós comemos o pão, bebemos o vinho, mas nada muda. Nós não sentimos nada. Nossa fé não é fortalecida.

Amados, temos que lembrar como esse sacramento funciona. Não funciona como mágica. Não é que sejamos apenas participantes passivos esperando que Deus faça o que Ele faz conosco para fortalecer nossa fé. Não, devemos nos envolver ativamente. Você tem que vir para a mesa com o coração e a mente envolvidos. Quando Jesus disse: “Faça isso em memória de mim” (Lucas 22:19), ele quis que tivéssemos consciência do que estamos fazendo. Se você vai se beneficiar da Ceia do Senhor, precisa pensar no que está acontecendo. Caso contrário, é apenas um ritual vazio. E um ritual vazio não tem benefício – muito pelo contrário!

Deixe-me fazer isso concreto e prático para você. Observe-me enquanto eu parto o pão. Essa é uma parte importante do sacramento. Estou realmente partindo esse pão, e então o corpo de Cristo foi realmente quebrado para pagar por seus pecados. Quando o pão chegar até você, pegue-o na mão e olhe por um momento. É real. Então o corpo de Cristo que carregou seus pecados é real. Esse corpo foi realmente pregado na cruz por você. Experimente isso. Sinta na sua boca. É real: diga a si mesmo, é assim que o evangelho é real. Faça a mesma coisa com o vinho. Observe-me enquanto eu derramo o vinho no copo. Estou realmente servindo vinho de verdade. Foi assim que o sangue de Cristo foi real e foi derramado por seus pecados. Quando você pegar o copo, olhe para ele; cheire se quiser. Pense nisso. É real – então Cristo teve uma verdadeira coroa de espinhos na cabeça e produziu sangue real. Quando você bebe o vinho, diga a si mesmo: este é o vinho real e o sangue de Cristo que derramou de suas mãos, pés e laterais também é real. Aquele sangue real garantiu minha salvação. É tudo verdade, é tudo real.

Amados, é assim que sua fé será fortalecida nesta manhã. Veja os elementos reais do pão e do vinho e, através deles, veja como o evangelho é real.

9 considerações sobre os dois cultos no domingo

Por que o Conselho convoca a congregação para cultuar duas vezes?

1. Não há uma ordem direta da Bíblia para fazer isso. Mas tenha em mente que também não há uma ordem direta para as mulheres participarem da Ceia do Senhor. Às vezes, derivamos práticas na Igreja a partir do ensino bíblico e suas implicações. Algumas coisas em nosso culto são extraídas das Escrituras por uma finalidade boa e necessária.

2. No Antigo Testamento, havia sacrifícios de manhã e de noite, veja Números 28.4, Esdras 3.3 e outras passagens.

3. No início da era do Novo Testamento, os primeiros cristãos se reuniam no Dia do Senhor tanto pela manhã quanto à noite, continuando a prática que tinham como judeus. Por isso, a igreja do Novo Testamento não mudou o que sempre foi feito pelo povo de Deus. Eles mantiveram o princípio de cultuar duas vezes, embora a vinda de Cristo significasse uma mudança para cultuar duas vezes no Dia do Senhor.

4. Não existe apenas um argumento bíblico/teológico, existem também boas razões práticas. Uma seria que ter dois cultos ajuda a manter a característica do Dia do Senhor como um dia de adoração.

5. Outra boa razão prática seria que o Espírito trabalha com a Palavra para transformar vidas. Assim, seria prudente ter mais, e não menos, oportunidades para o povo de Deus sentar-se ante a pregação.

6. Quando temos dois cultos, há uma maior oportunidade para os pastores fornecerem uma dieta equilibrada de pregação e ensino para a congregação. A congregação se beneficia de receber mais ensinos e uma gama mais ampla de textos ou assuntos (como na pregação do Catecismo).

7. Existe uma qualidade de vida espiritual que se desenvolve e floresce em torno dos dois cultos a Deus no Dia do Senhor. Há algo sobre estar na igreja com o povo de Deus duas vezes aos domingos que tem um efeito maravilhosamente positivo, produzindo não apenas indivíduos cristãos, mas toda uma cultura cristã, um estilo de vida em comunidade que se distingue pelo seu cuidado, qualidades cristãs e um zelo missionário que alcança o mundo inteiro.

8. Finalmente, o conselho convoca a congregação para cultuar duas vezes, esperando que desejemos adorar duas vezes. Por que algum crente não quereria cultuar a Deus e se submeter aos meios da graça (Palavra e Sacramento) tantas vezes quanto possíveis?

9. As últimas razões não nos obrigam a ter dois cultos como tal (em outras palavras, poderíamos usar essas razões para defender três ou quatro cultos). No entanto, o princípio de “mais, e não menos” justifica ter dois cultos contra apenas um.


Tradução: Gabriel Reis.

Revisão: Iraldo Luna.

Seu Culto é Reformado?

Reformed Worship Service

Algum tempo atrás, eu fui à um culto de uma igreja vizinha que não era reformada.O que mais me chocou foi aonde era dada maior ênfase no culto. Os procedimentos começaram com música. Uma banda estava no palco com cantores. Eles cantaram muito louvores e canções de adoração. Por fim, o líder de louvor disse, “Agora que o culto terminou, nosso pastor vai subir e dar sua mensagem”. A “mensagem” foi o clímax, seguindo a “experiência de adoração” emocional. O foco nessa igreja pareceu claro o suficiente.

Um dos distintivos das Igrejas Reformadas é a doutrina dos meios de graça. Essa doutrina, quando conscientemente preservada, também faz com que o culto reformado seja distintivo. Você pode dizer que está em uma igreja reformada quando a doutrina dos meios de graça é levada a sério e aplicada no culto da igreja. O foco em um Culto Reformado está sobre o ministério da Palavra e os Sacramentos. Vejamos como essas coisas trabalham como meios de graça e como elas precisam permanecer como nosso foco.

O primeiro dos meios de graça é a leitura e pregação da Palavra de Deus. A Escritura é aberta, lida e exposta. A lei de Deus é aplicada à congregação. A congregação é lembrada de seu pecado e miséria. Isso tem o duplo propósito de nos fazer humildes na presença de um Deus Santo e então também nos conduzir à cruz de Jesus Cristo. Essa aplicação da Lei acontece na leitura dos Dez Mandamentos, mas também através da leitura e pregação de outras Escrituras. O Evangelho é também aplicado para o conforto da congregação. O povo de Deus é encorajado com as promessas de seu amor e salvação em Jesus. Isso ocorre em muitas igrejas reformadas no momento da Segurança do Perdão, mas também, é claro, através da leitura e proclamação da Palavra de Deus. Finalmente, a vontade de Deus como expressa em sua Lei também é trazida à uma congregação grata à Deus. Nós somos ensinados acerca da boa vontade de Deus para nossas vidas e como demonstrar nosso amor por esse Deus gracioso que também nos ama tão profundamente. Isso também acontece através da leitura e pregação da Escritura.

A Escritura é um meio de graça porque ela é como Deus planeja abençoar seu povo quando Ele se reúne com eles. Seu desígnio é abençoá-los através de Sua Palavra, a voz do Bom Pastor é ouvida. É ouvida quando Ele repreende, quando Ele conforta, e quando ele instrui. Quando feito fielmente, nós não meramente ouvimos uma voz humana quando um ministro prega. A pregação fiel da Palavra de Deus é a Palavra de Deus — “Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes.” (1 Ts 2.13).

O outro meio de graça é a administração dos sacramentos. As igrejas reformadas administram os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor, segundo o mandamento de Cristo e seus apóstolos. O batismo é administrado como o sacramento de iniciação. Através do batismo, nós somos publicamente admitidos na aliança de Deus e na igreja. Através do batismo, nós recebemos o sinal e o selo das promessas da aliança de Deus. Deus está demonstrando-se gracioso para com aqueles que recebem o batismo. Todavia, em cada batismo, a congregação inteira é encorajada com a graça de Deus. Nós somos todos lembrando de como nosso Deus gracioso primeiro aproximou-se de nós e nos tomou para Si. Veja, batismo não diz respeito apenas àqueles envolvidos no batismo (aquele que está sendo batizado, os pais [NT* o autor é um irmão pedobatista]), mas à toda congregação!

A Ceia do Senhor é administrada como o sacramento de nutrição. Para muitos é comum ver a Ceia do Senhor meramente como um memorial, como colocar flores sobe o túmulo de um ente querido que partiu. A visão reformada inclui um aspecto memorial, mas é muito mais rica. Nesse sacramento, Jesus Cristo está verdadeiramente presente em sua divindade, majestade, graça, e Espírito. Ele está presente para abençoar os crentes que participam do pão e vinho na fé. Ele irá revigorar e nutri-los, fortificá-los na fé. Através da Ceia do Senhor somos verdadeiramente alimentados pelo próprio Salvador.

Os sacramentos são meios de graça porque também é assim que Deus quer abençoar seu povo, quando eles se reúnem com Ele. Ele quer continuar lhes dando o oposto do que eles merecem em vista de sua contínua pecaminosidade. Ele reivindica esses pecadores para Si e alimenta-os com comida e bebida espiritual. Além disso, nosso Deus gracioso sabe que a Palavra é frequentemente recebida com fraqueza. Ouvir apenas é difícil para nós como criaturas pecadores. Assim, em Sua graça, Ele adiciona estes dois sacramentos muti-sensoriais do batismo e da Ceia do Senhor.

Agora, por que estes meios de graça estão no centro do Culto Reformado? Por que essas coisas são o foco e ênfase? Isto remonta ao pacto da graça. O pacto é um relacionamento entre Deus e Seu povo. Quem permanece no centro desse relacionamento? Nem eu, nem você. Não, Jesus Cristo permanece no centro como o Mediador do pacto. Ele é aquele “lubrifica as engrenagens” deste relacionamento. Se um culto é reflexo desse relacionamento pactual, Cristo e Seu ministério não deveriam permanecer no centro? O foco não deveria estar sobre Cristo quando Ele ministra a nós com a Palavra e sacramentos, quando ele “lubrifica as engrenagens”? Há uma lógica distintivamente reformada para nosso foco sobre os meios de graça e isso tem tudo a ver com o pacto da graça.

É claro que ainda há um lugar para nossa resposta em oração e cânticos. O relacionamento pactual é bidirecional e Deus espera que Seu povo irá respondê-lo. Em virtude do pacto, tem de haver uma via de mão dupla em nossos cultos. Isso não é um problema. Ninguém jamais disse que oração e cânticos deveriam ser eliminados do culto reformado. A pergunta é: onde está nosso foco? Qual é o centro? Qual é a principal atração em um Culto Reformado? A resposta distintivamente reformada, extraída da Escritura, sempre foi: os meios de graça, o ministério da Palavra e sacramento. Com uma ênfase sobre o ministério da Palavra e sacramento, os meios de graça, seu culto será Reformado — o que quer dizer, bíblico.

TRADUÇÃO: Victor Gomes