“Sou muito grato pela obediência ativa de Cristo.”

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No final do século XIX e início do XX, estava ocorrendo uma épica batalha épica pelo evangelho na América do Norte. Quando eu digo “o evangelho”, eu realmente estou falando das boas novas de salvação em Jesus Cristo somente. O liberalismo teológico estava assolando igrejas que, no passado, havia sido firmes na fé bíblica, igrejas como a Igreja Presbiteriana nos EUA. Dentre outras coisas, o liberalismo estava negando a inerrância das Escrituras, negando milagres, como a concepção virginal de Cristo e sua ressurreição física, e a necessidade de uma expiação penal substitutiva. Deus levantou vozes proféticas ponderosas para protestar. Entre elas, destacou-se J. Gresham Machen (1881 – 1937).

Machen é mais conhecido pelo seu livro, Cristianismo e Liberalismo, de 1923. Machen habilmente argumentou que o liberalismo não era cristianismo bíblico – o livro é relevante ainda em nossos dias, pois apenas os nomes mudaram. Anteriormente um professor de Novo Testamento no histórico Seminário de Princeton, Machen entrou em conflito com o status quo e acabou se tornando uma figura protagonista na fundação do Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia.  Sua batalha contínua contra o liberalismo também o levou a ser despojado da Igreja Presbiteriana, em 1935. No ano seguinte, Machen esteve à frente da formação de uma nova igreja: a Igreja Presbiteriana da América. Posteriormente, essa igreja ficou conhecida como a Igreja Presbiteriana Ortodoxa.

No fim de 1936, Machen tinha 55 anos de idade. Desde há muito, ele tinha sido um ávido trilheiro e alpinista, mas aquele inverno o deixou com saúde má. Apesar de um resfriado e uma tosse horrível, Machen foi ao oeste, para a Dacota do Norte, para falar para algumas igrejas, durante o recesso de Natal do Seminário de Westminster. Sua saúde deteriorou rapidamente durante seu período nas pradarias. Em pouco tempo, ele estava no hospital, em Bismarck, com pneumonia. No dia 1º de janeiro de 1937, Machen alternava entre estar consciente e inconsciente. Durante um de seus momentos de lucidez, ele ditou um breve telegrama para seu amigo no Westminster, o Prof. John Murray. O telegrama foi breve: “Sou muito grato pela obediência ativa de Cristo. Nenhuma esperança sem ela.” Essas foram suas últimas palavras registradas. Ele morreu por volta das 19:30 do Dia de Ano Novo de 1937.

Cristianismo e Liberalismo pode estar no topo da pilha do legado literário de Machen, mas seu telegrama final definitivamente contém suas palavras mais citadas. Elas mercem um olhar mais próximo. O que Machen quis dizer com “a obediência ativa de Cristo” e por que ela lhe era tão encorajadora? Seres humanos pecaminosos têm um problema dobrado. Primeiro, por causa de nosso pecado, nós temos uma dívida infinita para com a justiça de Deus, que não podemos pagar. Segundo, mesmo que que nossa dívida fosse paga, nós ainda seríamos confrontados com a exigência da lei de Deus de contínua obediência daí em diante. Jesus Cristo endereça ambas. Como Ele sofreu a ira de Deus em nosso lugar, Ele pagou nossa dívida infinita. Na teologia, nós chamamos isso de sua obediência passiva (ou sofredora). Com seus 33 anos de observância perfeita da lei, Cristo também nos obteve uma obediência perfeita da lei de Deus. Nós chamamos isso de obediência ativa. Sua vida justa é imputada ou creditada a nós – conforme a Confissão Belga diz no artigo 23: “[…] sua obediência é nossa quando cremos nele”.

Romanos 5:19 fala diretamente dessa verdade do evangelho: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.” O Espírito Santo aponta para dois homens. Um, Adão, foi desobediente e seu fracasso carregado de culpa foi imputado a seus descendentes. O outro, Jesus Cristo, foi obediente e suas obras justas foram imputadas aos crentes para sua justificação. Quando nós temos Cristo como salvador, nós não temos apenas o perdão de nossos pecados, mas também a justiça positiva aos olhos de Deus. Com base nas duas coisas, Deus nos declara reconciliados consigo. Ele nos vê como perdoados E perfeitamente obedientes.

Esse ensino do evangelho estava fresco na mente de Machen quando ele estava morrendo porque, umas duas semanas antes, ele havia feito uma transmissão no rádio sobre o assunto. Antes disso, ele o havia discutido com John Murray no seminário. No que ele sabia que estava morrendo, ele olhou não para sua vida de imperfeição em seguir a Cristo, mas para a vida perfeita que Cristo havia vivido por ele. Machen encontrou conforto em saber que ele apareceria diante do trono de Deus perfeitamente trajado com a justiça de Jesus. Sua conta não havia apenas tido toda dívida cancelada, mas preenchida com os méritos imputados de Cristo. Você consegue ver por que Machen terminou com “Nenhuma esperança sem ela”. Nós podemos até inverte: “A obediência ativa de Cristo: muita esperança com ela!”

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Tradução:  Natan Cerqueira

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