Seu Culto é Reformado?

Reformed Worship Service

Algum tempo atrás, eu fui à um culto de uma igreja vizinha que não era reformada.O que mais me chocou foi aonde era dada maior ênfase no culto. Os procedimentos começaram com música. Uma banda estava no palco com cantores. Eles cantaram muito louvores e canções de adoração. Por fim, o líder de louvor disse, “Agora que o culto terminou, nosso pastor vai subir e dar sua mensagem”. A “mensagem” foi o clímax, seguindo a “experiência de adoração” emocional. O foco nessa igreja pareceu claro o suficiente.

Um dos distintivos das Igrejas Reformadas é a doutrina dos meios de graça. Essa doutrina, quando conscientemente preservada, também faz com que o culto reformado seja distintivo. Você pode dizer que está em uma igreja reformada quando a doutrina dos meios de graça é levada a sério e aplicada no culto da igreja. O foco em um Culto Reformado está sobre o ministério da Palavra e os Sacramentos. Vejamos como essas coisas trabalham como meios de graça e como elas precisam permanecer como nosso foco.

O primeiro dos meios de graça é a leitura e pregação da Palavra de Deus. A Escritura é aberta, lida e exposta. A lei de Deus é aplicada à congregação. A congregação é lembrada de seu pecado e miséria. Isso tem o duplo propósito de nos fazer humildes na presença de um Deus Santo e então também nos conduzir à cruz de Jesus Cristo. Essa aplicação da Lei acontece na leitura dos Dez Mandamentos, mas também através da leitura e pregação de outras Escrituras. O Evangelho é também aplicado para o conforto da congregação. O povo de Deus é encorajado com as promessas de seu amor e salvação em Jesus. Isso ocorre em muitas igrejas reformadas no momento da Segurança do Perdão, mas também, é claro, através da leitura e proclamação da Palavra de Deus. Finalmente, a vontade de Deus como expressa em sua Lei também é trazida à uma congregação grata à Deus. Nós somos ensinados acerca da boa vontade de Deus para nossas vidas e como demonstrar nosso amor por esse Deus gracioso que também nos ama tão profundamente. Isso também acontece através da leitura e pregação da Escritura.

A Escritura é um meio de graça porque ela é como Deus planeja abençoar seu povo quando Ele se reúne com eles. Seu desígnio é abençoá-los através de Sua Palavra, a voz do Bom Pastor é ouvida. É ouvida quando Ele repreende, quando Ele conforta, e quando ele instrui. Quando feito fielmente, nós não meramente ouvimos uma voz humana quando um ministro prega. A pregação fiel da Palavra de Deus é a Palavra de Deus — “Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes.” (1 Ts 2.13).

O outro meio de graça é a administração dos sacramentos. As igrejas reformadas administram os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor, segundo o mandamento de Cristo e seus apóstolos. O batismo é administrado como o sacramento de iniciação. Através do batismo, nós somos publicamente admitidos na aliança de Deus e na igreja. Através do batismo, nós recebemos o sinal e o selo das promessas da aliança de Deus. Deus está demonstrando-se gracioso para com aqueles que recebem o batismo. Todavia, em cada batismo, a congregação inteira é encorajada com a graça de Deus. Nós somos todos lembrando de como nosso Deus gracioso primeiro aproximou-se de nós e nos tomou para Si. Veja, batismo não diz respeito apenas àqueles envolvidos no batismo (aquele que está sendo batizado, os pais [NT* o autor é um irmão pedobatista]), mas à toda congregação!

A Ceia do Senhor é administrada como o sacramento de nutrição. Para muitos é comum ver a Ceia do Senhor meramente como um memorial, como colocar flores sobe o túmulo de um ente querido que partiu. A visão reformada inclui um aspecto memorial, mas é muito mais rica. Nesse sacramento, Jesus Cristo está verdadeiramente presente em sua divindade, majestade, graça, e Espírito. Ele está presente para abençoar os crentes que participam do pão e vinho na fé. Ele irá revigorar e nutri-los, fortificá-los na fé. Através da Ceia do Senhor somos verdadeiramente alimentados pelo próprio Salvador.

Os sacramentos são meios de graça porque também é assim que Deus quer abençoar seu povo, quando eles se reúnem com Ele. Ele quer continuar lhes dando o oposto do que eles merecem em vista de sua contínua pecaminosidade. Ele reivindica esses pecadores para Si e alimenta-os com comida e bebida espiritual. Além disso, nosso Deus gracioso sabe que a Palavra é frequentemente recebida com fraqueza. Ouvir apenas é difícil para nós como criaturas pecadores. Assim, em Sua graça, Ele adiciona estes dois sacramentos muti-sensoriais do batismo e da Ceia do Senhor.

Agora, por que estes meios de graça estão no centro do Culto Reformado? Por que essas coisas são o foco e ênfase? Isto remonta ao pacto da graça. O pacto é um relacionamento entre Deus e Seu povo. Quem permanece no centro desse relacionamento? Nem eu, nem você. Não, Jesus Cristo permanece no centro como o Mediador do pacto. Ele é aquele “lubrifica as engrenagens” deste relacionamento. Se um culto é reflexo desse relacionamento pactual, Cristo e Seu ministério não deveriam permanecer no centro? O foco não deveria estar sobre Cristo quando Ele ministra a nós com a Palavra e sacramentos, quando ele “lubrifica as engrenagens”? Há uma lógica distintivamente reformada para nosso foco sobre os meios de graça e isso tem tudo a ver com o pacto da graça.

É claro que ainda há um lugar para nossa resposta em oração e cânticos. O relacionamento pactual é bidirecional e Deus espera que Seu povo irá respondê-lo. Em virtude do pacto, tem de haver uma via de mão dupla em nossos cultos. Isso não é um problema. Ninguém jamais disse que oração e cânticos deveriam ser eliminados do culto reformado. A pergunta é: onde está nosso foco? Qual é o centro? Qual é a principal atração em um Culto Reformado? A resposta distintivamente reformada, extraída da Escritura, sempre foi: os meios de graça, o ministério da Palavra e sacramento. Com uma ênfase sobre o ministério da Palavra e sacramento, os meios de graça, seu culto será Reformado — o que quer dizer, bíblico.

TRADUÇÃO: Victor Gomes

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Dez coisas que eu aprendi com a Escolástica Reformada (2)

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Na primeira parte, eu comecei a defender que a escolástica reformada, não deve ser posta de lado. Nos últimos anos, tem havido uma nova apreciação para este método e a teologia que ele produziu. Da última vez, eu mencionei cinco coisas que eu já havia aprendido pessoalmente com a escolástica reformada:

  1. Uma boa teologia começa com uma sã exegese;
  2. O seu conteúdo histórico;
  3. O seu conteúdo sistemático;
  4. Fazer boas perguntas;
  5. Utilizar definições precisas.

Hoje eu vou concluir com as últimas cinco coisas:

  1. Fazendo Distinções

A distinção entre diferentes doutrinas e seus elementos é um marcador chave da teologia fiel. A Escritura ensina-nos a distinguir.   Além disso, a Igreja Cristã reconheceu há muito tempo que aquele que iria ensinar bem precisaria também distinguir bem. A escolástica reformada destacou a ciência das distinções teológicas. Teólogos escolásticos reformados fizeram boas distinções nos níveis mais amplos. Por exemplo, Ursinus escreveu em seu comentário sobre o Catecismo de Heidelberg, “A doutrina da igreja consiste em duas partes: a Lei e o Evangelho; em que compreenderam a soma e a substância das Sagradas Escrituras”. Mas eles também fizeram distinções muito mais sintonizadas. Benedict Pictet, por exemplo, escreveu sobre as maneiras em que devemos pensar no amor de Deus. O amor de Deus pode ser distinguido no amor entre as pessoas da Trindade (ad intra), e depois o seu amor para com as criaturas (ad extra). No que diz respeito ao seu amor pelas suas criaturas, que é ainda mais distinto: 1) O amor de Deus universal para todas as coisas, 2) O amor de Deus para todos os seres humanos, tanto eleitos e réprobos, e 3) O amor especial de Deus para o seu povo.” (Mark Jones, Antinomianism, 83). Apoiado por ensino bíblico, tais distinções podem ser bastante úteis para uma teologia clara e bem definida.

  1. O valor da lógica e a análise rigorosa

Bons teólogos usam a lógica para avançar as reivindicações de verdade da Palavra de Deus. Nossas confissões reformadas fazem o mesmo. No entanto, encontramos esta ferramenta utilizada de forma mais eficaz por escolásticos reformados.  Um exemplo clássico é encontrado com o argumento de John Owen sobre a intenção da expiação de Cristo.   Usando um silogismo poderoso informado pela exegese bíblica, Owen fez um caso hermético por expiação definida, ou seja, a bíblica posição de que Cristo morreu somente pelos eleitos. Intimamente relacionado com o uso da lógica e a análise rigorosa. Escolásticos reformados entendiam como chegar em cada ângulo de um determinado tópico. Em seu Syntagma, Amandus Polanus ilustrou isso quando discutiu a doutrina da criação. Usando os dados bíblicos, ele discutiu o funcionamento eficiente, causas materiais e formais da criação, bem como a finalidade e os efeitos da criação. No final da discussão, você tem a impressão de que cada aspecto concebível foi coberto completamente.

  1. A necessidade de um engajamento polêmico

Como em nossos dias, Reformados escolásticos encontram desafios à fé. Os católicos romanos, os anabatistas, Socinianos, arminianos (Remonstrantes), e outros precisavam ser de certa maneira questionados. Não foi suficiente, simplesmente fazer declarações positivas de fé – erros também precisavam ser profundamente abordados. Portanto, na maioria dos trabalhos escolares ou escolásticos, você vai encontrar um engajamento polêmico em graus variados. Muitas obras deste período são dedicadas exclusivamente às polêmicas. Por exemplo, Samuel Maresius levantou a sua caneta contra Isaac La Peyrère e os seus argumentos pré-adamitas. Francis Turretin em Institutos de Elenctic Teologia escreveu que a ideia de que a teologia é melhor aprendida no contexto da polêmica – “Elenctic” no título é derivado da palavra grega que significa. “Reprovar ou corrigir”. Os Reformados escolásticos não tinham medo de não só defenderem a fé, mas também ir para a ofensiva. Muitos em nossa tenra idade podem aprender alguma coisa com eles!

  1. Espaço para a diversidade Teológica (Dentro dos Limites Confessionais)

Ninguém deveria ter a impressão de que a escolástica reformada foi um movimento monolítico. Sim, pode ser razoável argumentar que havia muitas doutrinas fundamentais em que houve um amplo consenso. Esse consenso foi definido principalmente pelas confissões reformadas. No entanto, dentro desses limites, pode-se certamente encontrar uma quantidade significativa de diversidade. Por exemplo, existe a questão de saber se cada crente tem um anjo da guarda. Esta questão não é abordada nas Três Formas de Unidade. A escolástica reformada, como em Gisbertus Voetius, seguiu o exemplo de João Calvino e outros em relação aos anjos da guarda que, na melhor das hipóteses, estavam incertos a respeito desse tema. No entanto, Voetius também mencionou que outros teólogos escolásticos reformados como Zanchius, Alsted e Chamier afirmaram a posição antiga em anjos da guarda. Podem coexistir ambas as visões entre os teólogos reformados? Por que não?

  1. Há um tempo e lugar para o uso da escolástica

Os melhores escolásticos reformados entendiam uma das distinções mais importantes: entre o púlpito e a tribuna, ou entre o livro escrito para a congregação mediana e o livro escrito para os estudantes de teologia ou colegas teólogos. Colocando mais tecnicamente, eles sabiam a diferença entre o popular e a vida acadêmica. Para ter certeza, não escolásticos e reformados entendiam ou empregavam esta distinção, mas cada um como achava melhor o empregou. Considere Gisbertus Voetius novamente. Ele foi um dos mais realizados dos escolásticos reformados. Seus escritos acadêmicos refletem seu grande aprendizado, sua amplitude de estudo e habilidades acadêmicas. No entanto, este mesmo Voetius escreveu um livro calorosamente pastoral intitulado Desertion Espiritual (Deserção Espiritual). Antes de servir como um professor de teologia, Voetius tinha sido um pastor e ele entendeu que havia um tempo e um lugar para o método escolástico. Nem o púlpito nem um livro escrito em holandês era o lugar certo para os membros comuns da igreja. Para comunicar de forma eficaz a nível da pessoa normal, enquanto ao mesmo tempo ser capaz de teologar com os melhores teólogos – isso é algo que os escolásticos mais reformados se esforçaram para alcançar. É algo de muita relevância para hoje também.

Tradução e adaptação: Eduardo Moro Dutra

Revisão: Joffre Swait

 

Dez coisas que eu aprendi com a Escolástica Reformada (1)

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Embora não com tanta frequência como anteriormente, ainda, por vezes, vemos a palavra “escolástica” usada como pejorativo – em outras palavras, como um termo desagradável. Se alguém é considerado “escolar”, em seguida, ele deve ser um dos bandidos na história da teologia. É semelhante à palavra “puritano” para algumas pessoas. É um insulto. Se alguém é “puritano” ou “puritana”, então eles devem ser, na melhor das hipóteses, suspeitos. É o mesmo com a palavra “escolástica” – uma palavra suja que lança instantaneamente uma nuvem escura.

Em um período no tempo, estes tipos de noções eram generalizadas. No entanto, nas últimas duas ou três décadas, houve uma mudança na discussão da forma escolástica. Isto é devido principalmente à influência de eruditos como Richard Muller, David Steinmetz, e Willem van Asselt. Devido as discussões, agora é amplamente reconhecido que a escolástica era um método de ensino na teologia – que não têm conteúdo em si. Havia escolásticos medievais, havia escolásticos católicos romanos, havia escolásticos luteranos, e havia escolásticos reformados. Cada um utilizava o método escolástico para ensinar a teologia que consideravam ser correta.

Eu cheguei a apreciar melhor este método de ensino através da minha pesquisa de doutorado sobre a Confissão Belga. A Escolástica medieval está no fundo da Confissão Belga, especialmente em sua estrutura (Cap 4: Para a causa do Filho de Deus). A escolástica protestante está ainda mais arraigada no fundo dos Cânones de Dort. Os Cânones por si não são de caráter escolástico – e pela sua forma – eles ainda carregam as marcas de homens que se beneficiaram do método. Não deve ser nenhuma surpresa. Muitos dos delegados ao Sínodo de Dort ou eram teólogos que utilizaram o método escolástico ou pastores que tinham sido escolasticamente treinados.

Eu também fui muito beneficiado por estudar este método. Enquanto eu acho que seria inadequado importar o método escolástico para o mundo de hoje, ainda é um bom negócio ser ensinado por ele, especialmente como foi implementado pelos teólogos reformados na era pós-Reforma. Deixe-me compartilhar dez coisas que eu aprendi através da escolástica reformada.

1. Uma boa Teologia começa com uma sã exegese

Reformados escolásticos são às vezes descartados como “tendenciosos à distorção do texto bíblico”. Ao longo de sua teologia até mesmo poderia funcionar, eles fazem referências a Escritura, mas nem sempre entram em discussões exegéticas nessas obras (há exceções). Mas isso não significa que a exegese estava completamente fora de cogitação – longe disso! Na verdade, antes de escrever obras de teologia, muitos teólogos escolásticos haviam produzido pela primeira vez comentários exegéticos.  Só no livro de Romanos, a Biblioteca Digital de Pós-Reforma indica 236 títulos. Nem todas elas são obras reformadas, mas muitas a são. O estudo bíblico intensivo foi a base para a teologia reformada ensinada à luz do método escolástico.

2. O seu conteúdo histórico

A nossa era é muitas vezes indiferente à história. Como um método nas mãos dos teólogos reformados, a escolástica trabalhou com os pensamentos e as conclusões daqueles que já se foram há muito tempo. Por exemplo, eu me virei para uma página aleatória, em um importante texto escolástico muitas vezes referido como A Leiden Sinopse. Aqui Antonius Thysius está discutindo o que significa ser criado à imagem de Deus. Ele se refere à visão de Tertuliano e outros que “o homem todo é propagado à partir de todo o homem”. Mais tarde, na mesma página, ele interage com outro pai da igreja, Orígenes. O fato de que eles eram tão intimamente familiarizados com estes pais da Igreja demonstra que as discussões estavam em um nível diferente de nosso tempo, como nos dias de hoje.

3. A importância da sistematização

Enquanto eles não eram os primeiros a entender isso, os reformados escolásticos sstentaram que a teologia bíblica é um sistema interconectado. Neste sistema, todas as partes se referem, de alguma forma para todas as outras partes. Além disso, foi claramente compreendido pela maioria desses teólogos que há uma “lógica” construída na teologia cristã. Portanto, quando você lê um texto como Amandus Polanus – Syntagma Theologiae Christianae, você pode esperar que ele vai começar com questões preliminares (prolegômenos), mover-se para a doutrina da Escritura, então a doutrina de Deus, lidar com a criação, pecado, redenção e assim por diante, até a doutrina das últimas coisas (escatologia). Este padrão tem sido continuado por muitos teólogos sistemáticos desde então.

4. Fazer boas perguntas

Se você quiser boas respostas, você tem que fazer boas perguntas. Teólogos escolásticos reformados eram habilidosos na formulação de questões que os levariam a obter respostas úteis. Esta foi uma parte essencial do método escolástico de treinamento. Questões seriam formuladas tanto em termos de uma tese ou de uma pergunta. Enquanto o Catecismo de Heidelberg não é um documento escolástico, o comentário de Zacharias Ursinus no catecismo o é certamente. Quando ele discute Pergunta 21 sobre a verdadeira fé, ele identifica seis questões chaves que ajudam a esclarecer esta doutrina:

  • O que é a fé?
  • De quantos tipos de fé que as Escrituras falam?
  • Em que a fé difere da esperança?
  • Quais são as causas eficientes da justificação pela fé?
  • Quais são os efeitos da fé?
  • A quem é dada?

Este método também foi empregado por Francis Turretin em seus Institutos de Elenctic Teologia -, bem como por muitos outros.

5. Utilizar definições precisas

Teólogos muitas vezes usam as mesmas palavras, mas com significados diferentes. Um teólogo católico romano vai usar a palavra “justificação”, mas ele quer dizer algo bem diferente do que o que significa para um teólogo reformado. Por isso, é sempre importante definir com precisão termos importantes. Voltando à justificação, podemos notar Petrus van Maastricht como um exemplo. Em seu teórico-Practica Theologia (6.6), primeiro ele dá uma visão exegética das passagens bíblicas relevantes (ver ponto 1) e, em seguida, move-se em uma discussão dogmática com base nisso. Como parte disso, ele fornece uma definição precisa de justificação: por causa da justiça de Cristo, Deus absolve crentes de todos os seus pecados e os declara justos para a vida eterna. Justificação, de acordo com van Maastricht, inclui imputação de nossos pecados a Cristo e a sua justiça a nós dada por Deus. Ele não assume a definição deste termo chave, mas o torna claro e prossegue nessa mesma base.

(continua…)

Tradução e adaptação: Eduardo Moro Dutra

Revisão: Joffre Swait

As marcas da verdadeira igreja (5)

Pope Francis

Parte 5 de uma palestra sobre artigo 29 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Se você vai genuinamente identificar a igreja; vocês precisam saber com o quê o Artigo genuíno se parece: e nós temos essas três marcas que ajudam a fazer essa relação; e se você não as tem na memória, quero urgir com vocês para que assim o façam.  São só três e não é difícil de memorizar, mas percebam que existem falsificações. Existem aquelas que a Confissão Belga diz que elas clamam para si o status de igreja de Cristo. Fala a respeito da falsa igreja de Cristo.

No passado alguns, meio que simplificaram a abordagem da Confissão Belga que é colocada aqui. Alguns dizem que existem duas categorias: a igreja ou é falsa ou é verdadeira. Uma ou outra, se uma igreja específica não tem as três marcas; então, ela tem que ser uma igreja falsa. Então, a igreja pode ter a pregação pura do evangelho, ela poderia ter a administração fiel dos Sacramentos, mas se ela falhasse na área de administração de disciplina; então, eles afirmam: “Ah! Então, essa é uma igreja falsa!” E isso que eles dizem, mas não é isso que a Confissão Belga ensina.

A Confissão tem uma outra categoria aqui que é frequentemente esquecida. Nos dias de hoje, não é muito popular, aceitável, utilizar esse tipo de linguagem, mas nós iremos utilizá-la de qualquer maneira: as seitas.  As seitas são aqueles grupos que clamam para si o status de igreja cristã, mas existe a ausência de uma área ou outra na sua existência. Agora, no contexto histórico de Guido de Brès, a maioria das igrejas Anabatistas eram consideradas seitas. É exatamente assim que Guido de Brès as identifica no seu grande livro a respeito dos Anabatistas. Eles não eram a igreja verdadeira, mas eles não eram também as falsas igrejas. Agora, para ser claro, crentes genuínos, que são verdadeiramente bíblicos, eles não pertencem às seitas. O lugar deles é nas verdadeiras igrejas do Senhor Jesus Cristo, eles devem ser chamados para fora das seitas. E todos nós temos a responsabilidade de nos separarmos das seitas; mas a falsa igreja está numa categoria que é dela própria.

É no final do Artigo 29, na falsa igreja, onde está a ênfase. Como é a aparência de uma falsa igreja? Primeiro ela tira a Palavra de Deus do lugar de primazia, ela ou coloca a Palavra de Deus no mesmo nível da palavra humana, ou a coloca debaixo da autoridade ou debaixo do local onde está a palavra humana. A verdadeira igreja mantém a doutrina do Sola Scriptura, em princípio e também na sua prática.  Sola Scriptura, somente a Bíblia; somente a Bíblia é a nossa autoridade para nos ensinar o que nós cremos e como nós vivemos. A falsa igreja sempre faz um tipo de matemática, é sempre mais: A Bíblia mais alguma coisa, a igreja diz a Bíblia mais o que os homens dizem, ou então ela vai dizer: A Bíblia mais as decisões da igreja. A falsa igreja não se submete ao domínio, ao jugo de Cristo, nós ouvimos essa expressão “o julgo de Cristo” na última vez, lembra-se: vem lá de Mateus 11. Esse domínio de Cristo são, exatamente, as instruções e os ensinos,  se submeter ao julgo de Cristo é aprender Dele. Mas percebe que a falsa igreja não quer aprender de Cristo, ela não quer pregar puramente o evangelho de Cristo; ela mistura o evangelho com o trabalho dos homens, das obras, ela vai dizer: olha, você vai precisa de Cristo para a Salvação, mas somente Cristo não. Percebe que é matemática de novo? É Jesus mais obras humanas, e quando vamos para os Sacramentos; de novo, a falsa igreja irá adicionar ou retirar de acordo como ela quer. Ela adiciona quantos mais Sacramentos ela quiser, e mesmo para aqueles Sacramentos que foram instituídos pelo próprio Cristo, ela diz coisas que não tem nada a ver, que não estão ordenados, mas Escrituras. Por exemplo, a falsa igreja adiciona cuspi ou óleo na administração do Batismo; ou então, tira o Cálice da comunhão na participação dos crentes. A falsa igreja é uma instituição centralizada no homem, de ponta a ponta.

E finalmente, mais um elemento essencial na identificação da falsa igreja:  a perseguição de crentes fiéis, de crentes genuínos.  Nós percebemos como a igreja verdadeira administra a disciplina naqueles que se desviam do caminho. A igreja falsa pune aqueles que são piedosos, aqueles que querem viver de acordo com as Escrituras, e que fala até dos caminhos errados e escusos que a falsa igreja está vivendo. E era exatamente isso que estava acontecendo em Atos 4.  A antiga igreja judaica tinha se tornado uma falsa igreja. Eles estavam perseguindo Pedro e João por pregarem o evangelho de Cristo. Eles disseram para ele: “parem de pregar!” Eles disseram: “calem-se com relação a Jesus!”. É isso o que a falsa igreja faz, ela não tolera o evangelho, e ela faz tudo o que ela pode para subvertê-lo, e para destruí-lo. A falsa igreja não consegue tolerar, suportar o Cristo revelado nas Escrituras. E se eles vão ter algum Jesus, eles vão ter o Jesus que ela inventou. Um Jesus criado por ela mesma.

Nos dias de Guido de Brès, todos conseguiam identificar quem se enquadrava nessa figura. A Confissão, obviamente, está se referindo à Igreja Romana, mas a igreja Católica Romana não é claramente endereçada; e essa é uma coisa boa! É bom porque essa identidade de falsa igreja não está restrita ao Papa e àqueles que o seguem. Já aconteceu de ter outras igrejas falsas no percurso da história, e continua havendo ainda hoje falsas igrejas. E pode até não ser legal ficar identificando falsas igrejas; mas nós precisamos falar a verdade. Mas, percebam, eu não estou aqui para dar uma lista de quais são as falsas igrejas, também não vou dar uma lista aqui para vocês de quais são as seitas que existem. Se vocês aplicarem corretamente o que encontramos aqui na Confissão Belga, a falsa igreja será fácil o suficiente de você detectar. Agora, percebam que identificar as seitas será um pouquinho mais desafiador, com um pouco de pesquisa, um pouco de reflexão e com muita oração, você certamente, chegará às conclusões que você precisa chegar.

Então, geralmente, pegamos uma lista de igrejas que estão em nossa cidade e marcamos: essa aqui é verdadeira, essa aqui é falsa, e essas aqui são as seitas.  O nosso chamado não é para fazer essa listinha, mas para identificarmos a nossa igreja local. Nós precisamos identificar a saúde da nossa igreja local. Podemos, cada um de nós, aqui clamar o status de Igreja Verdadeira de Cristo?  As marcas podem até estar lá? E rogo por amor de cada um de nós que essas marcas genuinamente estejam lá, mas se nós formos honestos em nossa análise vamos encontrar muitas coisas que estão marcadas, manchadas com o pecado. A verdadeira igreja de Cristo também é uma coisa: humilde. Ela admite as suas fraquezas e com a graça de Deus ela resolve ser ainda mais fiel. Uma pessoa uma vez, afirmou que a verdadeira igreja de Cristo não é um destino final como se alguém estivesse numa jornada. É mais no que diz respeito a uma direção na qual nós, enquanto cristão, desejamos trilhar na direção de Cristo. Uma vez que nós chegamos e que pensamos que finalmente nós chegamos naquele destino, uma vez que nós chegamos e dissermos que somos uma igreja perfeita, se nós não estivermos nos céus, nós estamos com um grande problema. Irmãos e irmãs, sejamos humildes! Lute para ser uma igreja verdadeira em fidelidade ao Senhor Jesus Cristo!

Mas, em outros momentos das nossas vidas, existem situações onde nós precisamos realmente fazer um julgamento.  Nós precisamos fazer o julgamento de outros que clamam para si o status da igreja de Cristo. E na sua providência, Deus nos coloca na condição de julgamento. Nós não estamos procurando essa situação, quando falei anteriormente, uma questão de educação ou uma mudança de trabalho, faz com que você mude de um local para outro, ou então, não de um lugar para outro, mas até de um país para outro. Pode acontecer até nas férias que você tira. Talvez, apesar de tanto você ter direcionado e ensinado seu filho, sua filha, pode ser que ele comece a se relacionar com alguém de outra igreja que se diz Cristão. Então, nessas circunstâncias teremos que aplicar judicialmente as instruções que encontramos no Artigo 29 da Confissão Belga. Nós encontramos as três marcas? E se não encontramos as três marcas, nós estamos lidando com uma seita ou com a falsa igreja? De qualquer maneira, nessas situações específicas que citei aqui você precisa tomar uma decisão.  Não é toda a igreja que clama para si o título de Igreja de Cristo que verdadeira é igreja, e de fato e muitas são muito perigosas para a sua vida espiritual. Ou até para a saúde espiritual daqueles os quais você ama.

Aprender a discernir estas marcas é uma parte importante do nosso crescimento enquanto cristãos. Em muitas áreas das nossas vidas precisamos discernir verdade do erro, e percebem que Satanás é o Pai da mentira, a Bíblia descreve como um leão que ruge, procurando alguém para devorar! Ele quer devorar você e os seus filhos, ele quer nos encurralar e nos levar para longe de Cristo; Cristo que somente Ele é o caminho a verdade e a vida. E uma das formas que Satanás nos encurrala para distante de Cristo é em termos uma visão relaxada e não comprometida com relação à igreja. Amados, estejam atentos, aprendam a discernir aquilo que é verdadeiro. Especialmente, no que diz respeito à igreja de Cristo.   Amém.

As marcas da verdadeira igreja (4)

Está indo na direção errada.  Vire-se agora.

Está indo na direção errada. Vire-se agora.

Parte 4 de uma palestra sobre artigo 29 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

A recusa em se aceitar uma vida impenitente é a terceira marca da igreja fiel. Em Mateus 18, o ensino do nosso Senhor Jesus a respeito desse assunto é muito claro: se um irmão ou uma irmã está vivendo em pecado, o povo da igreja genuína, da igreja verdadeira vai atrás daquela pessoa que está em pecado; e tenta trazê-la de volta da sua vida pecaminosa. Se ele está vivendo em pecado, isso significa estar vivendo um estilo de vida pecaminoso, e isso também pode incluir o crer em falsas doutrinas. A crença em doutrinas não bíblicas é um tipo também de descrença, e esse tipo de comportamento precisa ser chamado atenção. E se essa pessoa que foi admoestada, se ela não escutar, os presbíteros vão se envolver com a situação. E o processo de disciplina oficial na igreja, então, começa. E se aquele tipo de vida pecaminosa continua acontecendo, então eventualmente o que precisa acontecer é a excomunhão daquela pessoa. A pessoa é removida da igreja e do reino de Deus. Agora, o que é importante observarmos é que a disciplina na igreja é motivada por amor.  O nosso Senhor Jesus, Ele é o bom pastor, Ele ama o seu rebanho. Se uma das ovelhas se desvia, Ele vai atrás daquela ovelha e em amor, Ele tentará trazê-la de volta. E Ele primeiramente, faz isso através dos membros da igreja, através da disciplina mútua e depois através dos presbíteros, que é o que nós chamamos de disciplina oficial. Mas o ponto principal no processo da disciplina é a restauração. Lá fora, para muitos que se chamam de cristãos, a ideia de disciplina é algo que não é nem um pouco popular. As pessoas acham que é algo malvado, perverso, mas perverso e malvado é negligenciar a disciplina. Provérbios diz que os beijos do inimigo são danosos, mas as mágoas e as feridas de um amigo, essas são demonstrações de amizade. Se uma igreja não ama você o suficiente para mandar você para fora da igreja, se você estiver vivendo em pecado. Você certamente deve questionar se essa certamente é uma igreja de Cristo. Se os presbíteros não amam você o suficiente para lhe admoestar, será que eles são verdadeiros pastores da igreja de Cristo? Quero clamar a você que se você tiver dúvida a respeito desse assunto, vá aos seus pastores, vá a um de seus presbíteros e pergunte a eles isso diretamente: “você me ama o suficiente para me mandar embora da igreja, se eu estiver vivendo em pecado?”  E se eles não tiverem prontos para dizerem sim, então você precisa achar uma igreja diferente, uma igreja fiel.

E obviamente que nós precisamos analisar a nós mesmos; se você tem conhecimento de um irmão ou uma irmã que vive uma prática de não arrependimento dos pecados, será que você vai atrás deles? E pratica aquela disciplina mútua? Começa com você, e se eles não vão escutar você, você irá com outro irmão e irmã e, se aquilo ali falhar será que você vai, adiante, levar aquilo aos presbíteros da igreja? Você se importa o suficiente com seus irmãos para cumprir o que Cristo ensina em Mateus 18? E para nós presbíteros que estão presentes aqui, vamos se nós temos o amor de Cristo, sejamos então fiéis na administração dessas Chaves do Reino. Se nós verdadeiramente vamos ser a igreja de Cristo, nós a utilizaremos e nós devemos utilizá-las.

Basicamente, uma igreja verdadeira não é reconhecida por aquilo que ela diz a respeito das Escrituras, mas também pratica o que a Bíblia ensina. E a Bíblia somente é que precisa ser o fundamento daquilo que é a prática da vida da igreja, porque a Bíblia é a Palavra de Deus. Ele é o único cabeça da igreja, e somente Ele tem o direito de decidir os parâmetros da vida da igreja. Somente Ele pode dizer a igreja, o que ela deve crer, o que ela deve comunicar e o que ela deve praticar.

Se uma igreja está sendo fiel a Cristo em todas essas maneiras, então certamente, haverá frutos; e o fruto será visto em crentes que genuinamente confiam em Cristo somente para a Salvação. O fruto estará na vida dos crentes que genuinamente odeiam o pecado e que querem fazer aquilo que é o correto aos olhos de Deus. Eles amam a Deus, eles querem agradá-lo e querem glorificá-lo enquanto seus filhos. De fato, eles não são perfeitos ainda; sim eles ainda lutam, batalham com o pecado. E de fato, é a luta deles contra o pecado que os marcam como filhos de Deus nessa idade, nesse tempo. Mas eles olham para cristo, o povo de Cristo em Sua igreja está sempre fitando os olhos Nele. Ele, Cristo, é a única esperança deles para a salvação, a maneira como a Confissão Belga coloca essa verdade é belíssima; Ele diz que eles apelam constantemente para a morte, o sacrifício, a obediência e o sangue de Cristo. Em quem eles têm o perdão dos seus pecados através da fé neles. A verdadeira igreja é centralizada em Cristo, e assim também são os verdadeiros cristãos que fazem parte dessa genuína igreja.

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As marcas da verdadeira igreja (3)

batismo na IRB

Parte 3 de uma palestra sobre artigo 29 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

E observem que também conectado à pregação do evangelho está a administração dos Sacramentos.  Alguns até já descreveram os Sacramentos como uma pregação visual do evangelho. Os Sacramentos nos propõe a mesma mensagem porém com a mídia distinta. Na pregação, nós escutamos palavras; nos Sacramentos, nós vemos, tocamos, experimentamos selos e sinais. E percebem que selos e sinais também nos testificam a respeito do trabalho de Cristo. O Batismo simboliza e sinaliza a respeito da lavagem dos crentes através do Espírito de Cristo, a Ceia do Senhor simboliza e significa a morte do Seu Salvador e do Seu Sangue, o seu corpo quebrado e o seu sangue vertido por você e por mim. Tudo nos Sacramentos nos orienta também para a direção do evangelho.

Então a verdadeira igreja de Cristo também irá fielmente administrar todos esses Sacramentos, isso significa que vai ser administrado o Batismo com água pura para os crentes e para os filhos dos crentes. E eu entendo que esse ponto específico pode ser controverso para alguns. E eu também não tenho tempo para articular uma defesa longa do Batismo Infantil. Mas existem diversos pastores reformados e presbiterianos aqui e sei que se você perguntar a eles, eles estarão disponíveis para falar com você esse assunto. Também, o Batismo sendo administrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é um mandamento de Cristo. Batismo é administrado uma vez somente! Se Batismo diz respeito às promessas de Deus; consequentemente, isso é o evangelho que está nos sendo pregado. Então, uma vez só é suficiente! Deus simplesmente não mente.  A administração fiel dos Sacramentos inclui, obviamente, a Ceia do Senhor. Crentes comendo o pão e bebendo o vinho à medida que ali estão sendo alimentados por Cristo. Uma simples celebração rememorando aquilo que Cristo fez! Exatamente, como Cristo assim o instituiu.

E aqui, mais uma vez, nós podemos nos questionar como é que as nossas igrejas estão se comportando ou executando essa área. Nós temos, de forma fiel, administrado os Sacramentos? E essa pode ser uma pergunta não fácil de ser respondida! Porque simplesmente não é muito difícil você pegar um punhado de água, colocar na cabeça de alguém e dizer: “você está batizado em nome do Pai, em nome do Filho e em nome do Espírito Santo”. E também não é difícil imergir alguém e simplesmente ele está batizado. E também não é difícil simplesmente comer um pedaço de pão e beber um cálice de vinho. Essas são coisas que em si são fáceis de serem feitas. Mas, talvez, existem outras áreas específicas que estejamos escorregando; isso não quer dizer que estamos de fato escorregando; mas, no mínimo está potencialmente ai. E isso é porque na igreja estão sempre presentes homens falíveis, pecadores.

A Confissão Belga nos ensina que a igreja é composto por um corpo misto: Rm 9:6 porque nem todos os que são de Israel são, de fato, Israelitas”. É exatamente isso que confessamos nas Escrituras. Do mesmo jeito que, no Antigo Testamento, havia aqueles que tinham o seu coração incircunciso, dentre os seios dos judeus; também existem no Novo Testamento àqueles que não fazem parte da igreja. Mas mesmo assim, de forma exterior eles fazem parte da igreja. Esses são chamados os hipócritas; são as pessoas que usam uma máscara na igreja, são os atores. Eles conseguemutilizar o Sacramento do Santo Batismo quando eles secretamente vivem em pecado. Eles podem estar participando da Ceia do Senhor, quando em secreto cultivam uma vida pecaminosa. Você percebe que a igreja pode administrar os Sacramentos de forma fiel; mas não necessariamente todo mundo que está na igreja irá receber os Sacramentos de forma fiel. E obviamente quando este tipo de falha está presente tem um efeito de detrimento para a vida da igreja. E obviamente que hipocrisia é algo difícil de se lidar dentro da igreja porque pela sua própria natureza a hipocrisia está escondida. Nós podemos até suspeitar dela; mas queremos ser caridosos com nossos irmãos e irmãs. Se eles clamam serem cristãos, queremos tomar aquele clamor, aquela  afirmação de acordo com o que ela diz. Mas no seu ministério da Palavra, a igreja tem a obrigação de chamar a atenção daqueles que são hipócritas e colocá-los à prova. E deixa eu fazer isso agora.

Se você está vivendo em hipocrisia, se você está vivendo uma vida não arrependida e pecaminosa, se você tem mantido a prática de pecados que você ama tanto, e você simplesmente, se recusa a abandonar aquele pecado; você se recusa a se arrepender, você está debaixo da ira de Deus. Você não pode ser salvo, se você não se desviar, se você não se apartar do pecado, e simplesmente odiar o pecado. E fugir para Cristo para a segurança. E é exatamente ao tomar os Sacramentos, e ao mesmo tempo, persistir  em seu pecado, você está trazendo grande dano para você mesmo, e acumulando o julgamento de Deus sobre você. E não somente isso, mas você está causando grande dano para a sua igreja, Acã cometeu um pecado secreto, ele sim era um hipócrita, ele se passava por um cidadão Israelita de respeito, enquanto os tesouros de Jericó estavam lá enterrados na sua tenda e ninguém sabia disso; mas Deus sabia. E o que aconteceu é que o castigo de Deus caiu sobre toda a nação de Israel, a igreja no AntigoTestamento. E o mesmo tipo de coisa aconteceu na Igreja de Corinto no Antigo Testamento; em I Co 11, você pode ver o que aconteceu lá.

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As marcas da verdadeira igreja (2)

Pr. Adriano pregando um sermão

Parte 2 de uma palestra sobre artigo 29 da Confissão Belga para o Encontro da Fé Reformada (Recife) no dia 1 de novembro 2013.

Então se nós confessamos que a Bíblia ensina que a igreja é necessária a pergunta é: Como é, então, que nós reconhecemos uma verdadeira igreja de Cristo? Como ela se parece? Como é que podemos identificá-la? Talvez para muitos de nós nessa manhã essa pergunta não seja importante. E talvez isso seja porque cada um de nós aqui seja membro de uma igreja local em algum lugar. Mas ainda sim é importante que nós nos aproximemos dessa pergunta com também um pouco de autoexame de nossa parte. É importante que nós aproximemos dessa doutrina não para que nós sejamos orgulhosos e comecemos a dizer: “há que igreja maravilhosa eu tenho, que igreja maravilhosa que eu faço parte!” Mas, aproximamos dessa questão para examinar nossas igrejas, e ver como essas marcas se aplicam a ela. Será que a sua igreja local pode genuinamente reclamar para si o título de Igreja de Cristo? E essa sim, é uma pergunta que nós não podemos minimizar. Talvez alguém ainda esteja pensando o seguinte, o pensamento é:  “Já que eu sou membro daquela igreja, então aquela igreja só pode ser uma igreja verdadeira”. Isso é um pensamento falacioso. Esse tipo de argumentação é algo que flui de uma conclusão que não estar inclusa nas premissas: só por que você é membro de uma igreja específica não segue logicamente que aquela igreja da qual você é membro seja uma igreja verdadeira. E você não quer, de verdade, está confiante que você faz parte verdadeiramente de uma igreja que é a igreja de Cristo, portanto, nós precisamos aprender a habilidade de discernimento aqui.

Mas esse questionamento também é importante porque muitas vezes nós nos encontramos numa situação na qual nós precisamos encontrar uma igreja genuína, uma igreja verdadeira.  Talvez a sua necessidade de educação ou o seu trabalho vai levar você para um local onde não há uma igreja que você conhece e você ali precisa encontrar uma verdadeira igreja. E aí vocêcertamente precisará ter a habilidade para responder a essa pergunta: onde eu vou encontrar uma igreja genuína de Cristo?  Uma igreja onde você pode visitar e se for uma situação de longo prazo, você se tornará membro daquela igreja.

Mas, então, qual é a coisa mais importante em uma igreja? A Confissão Belga coloca a pura pregação do evangelho no topo da lista das evidências de uma verdadeira igreja. Quando João Calvino e outros teólogos reformados começaram a escrever acerca das marcas da igreja, eles sempre colocaram também essa primeira marca, a pregação genuína do evangelho.  E não é uma escolha aleatória. Como se essa marca pudesse ser escolhida como a terceira marca da lista e não fizesse diferença; ela foi colocada no primeiro local da lista com um motivo específico: ela é a primeira porque ela é a mais importante!

E esse procedimento revela um procedimento bíblico, em Gálatas, capítulo 1, essa é exatamente a abordagem que o apóstolo Paulo faz. Paulo, ele mesmo que havia pregado o evangelho da graça entre os Gálatas; mais tarde, outros vieram e começaram a pregar coisas distintas do que Paulo havia pregado. E esses falsos pregadores começaram a ganhar seguidores na igreja dos Gálatas. E Paulo começou ali a se maravilhou como é que as pessoas estavam seguindo esses pervertedores do evangelho. Então, escute o versículo 8: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos tenho pregado, seja anátema”. Que Deus amaldiçoe ao inferno qualquer pessoa que pregue um evangelho que vá além daquele que foi pregado pelo apóstolo Paulo. É exatamente isso que anátema significa, são palavras duras! Então, podemos fazer a seguinte pergunta: Como é que uma igreja pode ser verdadeira com relação à Cristo? Se ela tolera uma situação na qual o evangelho de Cristo não é pregado, como é que ela pode ser uma igreja genuína?

Mas, vamos dar um passo atrás e fazer uma outra pergunta: O que Paulo quer dizer com o evangelho? O que a Confissão Belga quer dizer quando ela diz que a verdadeira igreja, ela pratica a pregação pura do evangelho? O que ela quer dizer com isso? Uma vez atrás, teve um pastor que pregou o seguinte sermão, e o sermão estava cheio de uma lista de coisa, do tipo: não faça tal coisa, faça isso, não faça aquilo, você precisa fazer isso e fazer aquilo; mas em nenhum minuto ele falou a respeito de Cristo. Mas então ele disse: Como estou grato de poder mais uma vez pregar o evangelho. Mas ele não pregou o evangelho! O evangelho são boas novas, é o anúncio de algo de algo que alguém fez por nós. Leia Gálatas! Ao longo de todo o livro de Gálatas, Paulo contrasta a doutrina da justificação em Cristo somente contra a doutrina dos judaizantes. Os judaizantes diziam: os crentes precisam observar a lei para que eles sejam salvos por Cristo. Você pode até entrar em Salvação por graça; mas você permanecerá em salvação por obras. Mas o evangelho de Paulo prega que você só pode alcançar a salvação e permanecer na salvação pela obra que Cristo fez por você. O evangelho de Paulo é que Cristo pagou pelos seus pecados com o seu sangue.  O evangelho de Paulo é que Cristo conseguiu, por causa da sua obra na cruz do Calvário, desviar a ira de Deus que você merecia. Através de Cristo você não é mais um inimigo de Deus, mas um amigo de Deus. O evangelho de Paulo é que Deus fez Cristo se tornar pecado por nós para que em Cristo nós pudéssemos nos tornar a justiça de Deus. As boas novas é que em Cristo nós somos apontados, considerados como justos e santos. Nós somos inclusos dentro da família de Deus como seus filhos amados. Adotados por graça somente. Toda a obediência de Cristo pertence aos crentes, toda a morte de Cristo; é em Cristo que recebemos tudo o que foi perdido em Adão e ganhamos muito mais. Você percebe que o evangelho não descreve as coisas que nós fazemos para ganhar outras coisas da nossa maneira. Mas o evangelho é a respeito do que Cristo fez por nós, o que Ele fez para nos salvar das conseqüências que nós fizemos; é totalmente focalizado, centrado Nele, em Cristo.

E, é exatamente essa mensagem que uma verdadeira igreja vai apresentar, colocar diante dos seus membros; e também diante do mundo. É exatamente isso colocado como de primeira importância! Uma igreja sem o evangelho não é igreja, é mais como uma sinagoga, ou como uma mesquita, lugares onde você consegue algo com seus próprios esforços. Isso é que é importante!

E mais uma vez, irmãos, isso é que nos deve levar para um autoexame: “Estamos nós em uma igreja que pratica a pura pregação do evangelho? Se não estamos, precisamos ser confrontados com essa realidade. Se essa não é a realidade, você tem a responsabilidade de falar. Na minha igreja, no meu país, se eu não sou um pregador do evangelho, então as minhas ovelhas têm que me dizer se não estou pregando o evangelho. E eu sempre desafio a proceder exatamente dessa maneira. Eu digo para eles: olha, eu sou somente um homem. E se eu não estiver pregando o evangelho para vocês, por favor me digam! Mas se genuinamente temos ouvido a pregação do evangelho em nossas igrejas, primeiramente temos que nos apresentar em gratidão a Deus.  Gratos, primeiro, pela pregação do evangelho, pela mensagem do evangelho, também podemos nos apresentar em gratidão porque Deus nos deu um pregador fiel para nos apresentar essa mensagem. E nós também podemos continuar encorajando os nossos pregadores a continuarem pregando o evangelho. Mas nós também ainda temos uma outra responsabilidade:  a responsabilidade de crer no evangelho todas as vezes que nós o escutamos. É uma mensagem que precisamos escutar repetidamente, se a igreja está realmente fazendo o seu trabalho. E eu rogo a vocês não minimizem essa mensagem! Quando o evangelho está sendo pregado, não deixe simplesmente o evangelho passar… Não deixe o evangelho passar sem que você abrace-o todas as vezes que ele for pregado. Dizendo, esse Salvador que está sendo pregado é o meu Salvador.

Continua…